“A Odisseia”, de Christopher Nolan, bateu o recorde de arrecadação do diretor em sua estreia. Mundialmente, o filme arrecadou US$ 264,1 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão), superando “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, de 2009, que arrecadou US$ 249 milhões. Além da conquista nas bilheterias, o longa trouxe uma grande surpresa para o mundo do […]
“A Odisseia”, de Christopher Nolan, bateu o recorde de arrecadação do diretor em sua estreia. Mundialmente, o filme arrecadou US$ 264,1 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão), superando “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, de 2009, que arrecadou US$ 249 milhões.
Além da conquista nas bilheterias, o longa trouxe uma grande surpresa para o mundo do cinema. Isso porque ele foi todo gravado com a tecnologia IMAX de 70mm.
Em meio aos comentários acerca desta superprodução, o nome IMAX acaba entrando em um território vago, apenas chamada de “tecnologia de ponta” do cinema, mas que tem muito por trás dela.
O que é o IMAX?
A IMAX em si, se refere a IMAX Corporation, uma empresa canadense de tecnologia focada no audiovisual. Ela conta com diversos produtos, que juntos, trazem a experiência completa para as telonas.
O design das salas de cinema é um dos mais falados, já que é arquitetado para aproximar mais o filme do telespectador.
As salas são construídas com alinhamento a laser e geometria com tecnologias próprias.
A parte sonora também é uma das partes fundamentais dessa arquitetura. Além de um sistema único, o posicionamento das caixas de som nas salas IMAX também é calculado para que ele reverbere da melhor forma.
A empresa também conta com um sistema de remasterização digital, conhecido como DMR (Digital Media Remastering, na sigla em inglês). O foco da tecnologia é de “limpar” a imagem dos filmes brutos para que fiquem com uma qualidade melhor.
A IMAX também produz câmeras próprias capazes de gravar em até 18k. Este é o caso da câmera IMAX 15-perf/65mm, uma das mais potentes do mercado, utilizada para gravar “A Odisseia”.

Câmera já chegou a ser vendida por US$ 400 mil em site de revenda americano – Foto: Reprodução/eBay
O formato de gravação muda, com a imagem sendo capturada em uma proporção diferente do convencional. Isso garante até 28% mais imagem do que as câmeras atuais de cinema.
Por conta da potência do equipamento, a exigência dos rolos de filme utilizados também muda. Apenas entre 2 minutos e meio e 3 minutos podem ser gravados continuamente. Cada um dos rolos custa aproximadamente US$ 1.500 (R$ 7.687,50).
Salas de IMAX são escassas mundialmente
Atualmente, existem 1.865 sistemas IMAX em todo o mundo espalhados por 91 países. No Brasil, são apenas 12 salas em dez estados, sendo três em São Paulo.
Existe uma categoria ainda mais tecnológica dessas salas, chamada de IMAX 70mm. Ao invés de usar projeção digital, elas utilizam uma película de 70mm passada diretamente no projetor.
Dentre estas salas, apenas 41 no mundo inteiro têm a tecnologia suficiente para exibir a Odisseia de Nolan neste formato.
A escassez dessas salas pode ser explicada pela exigência de um alto investimento em equipamentos, licenciamento, som, telas especiais e adaptações no próprio cinema.
Como a instalação só se torna rentável em locais com um público grande e demanda alta por filmes, a tecnologia acaba se concentrando em grandes cidades.
No caso do IMAX 70 mm, a oferta é ainda menor, pois o formato depende de projetores raros, películas caras e cabines específicas.
Nolan e sua relação com o sistema IMAX
A Odisseia não foi o primeiro contato do diretor britânico com esta tecnologia. Ele foi um dos principais responsáveis por trazer o IMAX para produções mais populares.
A primeira aparição desses recursos em seus filmes foi em “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, de 2008. Nolan utilizou seis sequências com câmeras IMAX, entre elas o assalto ao banco que abre o longa.

Cena foi uma das primeira a ter a tecnologia utilizada por Nolan – Foto: Reprodução/Youtube/Heróis em Geral
Em “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, de 2012, a história do morcego se tornou outro laboratório tecnológico do diretor. Mais de uma hora do filme foi gravada com câmeras IMAX.
Um de seus trabalhos mais aclamados, “Interestelar”, de 2014, também utilizou dos produtos canadenses de audiovisual. Algumas cenas foram capturadas em IMAX 65mm para garantir um maior impacto sensorial.
Antes de “A Odisseia”, o trabalho anterior do diretor a ter destaque com a tecnologia foi “Oppenheimer”, de 2023. Ao invés de usar os aparatos para captar cenas grandiosas, Nolan explorou a qualidade deles para registrar detalhes menos grandiosos e mais psicológicos, como rostos e expressões.
Para conferir “A Odisseia” de Nolan, mesmo sem ser na qualidade de salas IMAX 70mm, o espectador brasileiro irá desembolsar em média R$ 47,20. Caso queria assistir em salas IMAX comuns, disponíveis no Brasil, o preço fica na casa dos R$ 54,40.
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