Centenas de nigerianos deslocados protestaram na rodovia Makurdi-Lafia-Abuja, exigindo comida e segurança após um massacre que deixou mais de 200 mortos em junho. Os manifestantes, principalmente mulheres e crianças, bloquearam a via para chamar a atenção do governo sobre a grave crise humanitária que enfrentam em acampamentos improvisados.
O massacre ocorreu nos dias 13 e 14 de junho na comunidade de Yelewata, no estado de Benue, onde homens armados, identificados como militantes fulani, atacaram famílias enquanto dormiam. Thomas Ukumba, um ancião local, afirmou que o medo de novos ataques impede os moradores de retornar às suas fazendas. “Não estamos seguros”, declarou.
A situação nos acampamentos é alarmante. Oito mortes foram registradas em duas semanas, com vítimas de doenças e falta de suprimentos médicos. Rebecca Awuse, uma das manifestantes, expressou seu desejo de voltar para casa, enquanto líderes comunitários criticam a inação das forças de segurança. Um jovem líder, Damian Ugbir, relatou que militantes fulani invadiram um complexo escolar, mas a resposta policial foi insuficiente.
Crise Humanitária
A crise humanitária se agrava, com milhares vivendo em condições precárias. A Agência Estadual de Gestão de Emergências de Benue negou negligência, alegando que o protesto tinha motivações políticas. No entanto, os deslocados enfrentam escassez de alimentos, água potável e atendimento médico.
O governo federal havia prometido aumentar a segurança após o massacre, mas moradores afirmam que a violência continua sem controle. Desde maio de 2023, mais de 10 mil nigerianos foram mortos em episódios de violência, com 6.896 dessas mortes ocorrendo no estado de Benue. A Missão Portas Abertas classifica a Nigéria como o 7° lugar na Lista Mundial da Perseguição 2025, refletindo a gravidade da situação enfrentada pelas comunidades cristãs.
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