Os 10% mais ricos da América Latina concentram 34% da renda nacional, segundo um relatório da Oxfam. A Colômbia se destaca com 43,5% da renda nas mãos desse grupo, seguida pelo Brasil (40,9%) e Panamá (36,7%). No México, a situação é alarmante: o 1% mais rico ganha 442 vezes mais que os mais pobres.
O estudo revela que, em termos absolutos, o 1% mais rico no México recebe 958.777 pesos mexicanos por mês, enquanto os 10% mais pobres têm apenas 2.168 pesos. Essa desigualdade extrema é um reflexo de estruturas sociais históricas que perpetuam a concentração de riqueza.
Estruturas Históricas e Desigualdade
A desigualdade na região é considerada um fenômeno estrutural, com raízes que remontam à colonização. A acadêmica Clara Inés Pardo, da Universidad del Rosario, afirma que as elites não apenas se beneficiam da desigualdade, mas a perpetuam ativamente por meio do controle das instituições e da manipulação do discurso público.
Além disso, o sistema tributário na América Latina é frequentemente regressivo, com impostos baixos e alta evasão fiscal, o que limita o investimento em áreas essenciais como educação e saúde. A informalidade no mercado de trabalho também contribui para a exclusão de milhões de pessoas dos direitos trabalhistas.
Desafios e Necessidade de Mudanças
A Oxfam destaca que, apesar de alguns avanços sociais, as desigualdades permanecem generalizadas. No Brasil, os 10% mais ricos devem receber em 2024 13,4 vezes mais que os 40% mais pobres. Essa diferença, embora a menor desde 2012, ainda evidencia a necessidade de reformas estruturais.
Para enfrentar a desigualdade, é crucial abordar as estruturas de poder que a sustentam. Pardo enfatiza que a mobilização social e a vontade política são essenciais para implementar políticas redistributivas eficazes. A luta contra a desigualdade requer um esforço conjunto para transformar as dinâmicas sociais e econômicas que historicamente marginalizam grandes parcelas da população.
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