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Botafogo: de potência sul-americana a caos financeiro em disputa com Textor

Dívida total de R$ 2,7 bilhões ameaça a continuidade do Botafogo em meio à disputa societária entre Textor e a SAF

Treinador italiano está presente no estádio para observar atletas do time carioca; Alex Telles e Igor Jesus são os destaques.
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  • Botafogo estreou 2024 com títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, sob gestão da SAF controlada por John Textor.
  • Laudo econômico aponta dívida total de cerca de R$ 2,7 bilhões, com R$ 1,6 bilhão no curto prazo (vencimento em até 12 meses).
  • Crise envolve disputa societária internacional entre Textor e acionistas da Eagle Football Holdings, com desdobramentos no Lyon e em outras operações do grupo.
  • Em 2024, o clube gastou R$ 534,6 milhões em aquisições, teve receita de R$ 700 milhões e elevou o valor do elenco para R$ 950 milhões; houve saída de jogadores-chave para sustentar as finanças.
  • Em abril de 2025, Textor apresentou proposta de aporte de US$ 25 milhões, enquanto o Botafogo associativo reforçou críticas à gestão e manteve conversas com potenciais investidores.

O Botafogo enfrenta uma crise financeira profunda que se acentuou após a temporada 2024, quando o clube conquistou a Libertadores e o Brasileirão. A SAF liderada por John Textor está no centro de disputas societárias internacionais, com dívida elevada e futuro incerto.

O laudo econômico apresentado recentemente aponta dívida de aproximadamente R$ 1,6 bilhão no curto prazo, com R$ 1,1 bilhão em passivo não circulante, totalizando cerca de R$ 2,7 bilhões. O documento aponta riscos à continuidade operacional do clube.

John Textor tornou-se acionista majoritário da SAF em 2022, assumindo passivos históricos e prometendo investimentos. Sob sua gestão, houve modernização de CT e estádio, além de reforços como Luiz Henrique e Thiago Almada, com gastos de cerca de R$ 534,6 milhões em 2024.

A temporada de 2024 rendeu receitas de aproximadamente R$ 700 milhões e elevou o valor do elenco para perto de R$ 950 milhões. Contudo, outros clubes ligados ao grupo Eagle Football Holdings enfrentaram dificuldades financeiras e críticas de torcedores.

Ao fim de 2023/24, a Eagle registrou déficit de cerca de € 25,7 milhões. Em junho de 2025, Textor vendeu parte de participação no Crystal Palace para recompor caixa, em operação de cerca de US$ 260 milhões.

O Botafogo manteve a estratégia agressiva em 2025, com aportes previstos de quase R$ 630 milhões. No entanto, reforços recentes apresentaram desempenho abaixo do esperado, enquanto o time perdeu peças-chave como Luiz Henrique, Almada e Savarino.

No campo, o Botafogo venceu o PSG pelo Mundial de Clubes, mas teve fugas de desempenho ao longo da temporada, com trocas de treinadores e eliminações precoces em competições nacionais e internacionais. A qualificação à Libertadores ocorreu apenas na fase preliminar.

A crise also envolve a disputa de controle entre Textor e a gestão associativa do Botafogo. A Justiça do Rio proibiu alterações na governança da SAF até a conclusão de arbitragem da FGV, em meio a cobranças judiciais por parte do Botafogo associativo.

Paralelamente, o Botafogo acionou o Lyon na Justiça para cobrar mais de R$ 745 milhões, alegando aportes não devolvidos. A gestão centralizada de recursos no grupo Eagle é contestada por credores e por investidores externos.

O economista Cesar Grafietti afirma que a estrutura da SAF foi mal planejada desde o início, com financiamento baseado em dívidas e um modelo de caixa único que não funciona para clubes com realidades distintas. Ele aponta necessidade de reestruturação de passivos e prazos de pagamento.

Grafietti ressalta que a ausência de controles rígidos de gestão financeira contribuiu para o desequilíbrio. Mesmo com potencial esportivo, o Botafogo opera, segundo ele, com receitas de porte intermediário e dívida elevada, o que reduz o atrativo para novos investidores.

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