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Dívidas do Corinthians superam bens em mais de R$ 900 mi no 1º trimestre

Dívidas do Corinthians superam bens em 905,7 milhões de reais no 1º trimestre, com queda em vendas de atletas e elevação de despesas

Osmar Stábile, presidente do Corinthians
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  • Dívidas do Corinthians superam bens em R$ 905,7 milhões no fim de março de 2026, frente à diferença de R$ 774,1 milhões em dezembro de 2025.
  • O resultado do 1º trimestre foi de prejuízo de R$ 131,1 milhões, 94,7 milhões acima do previsto no orçamento.
  • A principal razão foi a ausência de entradas líquidas com vendas de jogadores, esperadas em R$ 75 milhões, que não ocorreram.
  • Despesas financeiras somaram R$ 62,7 milhões, enquanto as receitas ficaram em R$ 8,6 milhões, elevando o déficit e levando o clube a recorrer a empréstimos.
  • Receitas futuras totalizam R$ 1,27 bilhão (curto e longo prazo) e dívidas de curto prazo chegaram a R$ 1,21 bilhão; o provisionamento para litígios caiu para R$ 405,7 milhões após quitação da dívida com Santos Laguna.

O Corinthians registrou, no primeiro trimestre de 2026, dívida superior aos bens e valores a receber em 905,7 milhões de reais. O resultado, divulgado nesta segunda-feira, mostra piora em relação ao fim de 2025, quando o déficit era de 774,1 milhões. O crescimento acompanha o prejuízo de 131,1 milhões no período.

A principal razão apontada pelo clube é a ausência de receita esperada com vendas de atletas, que não ocorreu conforme o orçamento. Enquanto as despesas financeiras ficaram em 62,7 milhões, as receitas ficaram em 8,6 milhões entre janeiro e março, gerando impacto negativo de aproximadamente 54 milhões.

Além disso, o Corinthians recorreu a empréstimos para manter o fluxo de caixa, com pagamentos previstos para 2026 e 2027. Despesas não previstas também impactaram o resultado, como prêmios pela Copa do Brasil 2025, impostos ligados à contratação do zagueiro Félix Torres e taxas de transferências internacionais.

Desempenho e resultados

A receita operacional bruta do trimestre foi de 206,8 milhões, 20 milhões acima do teto orçado, mas as despesas operacionais chegaram a 202 milhões, elevando o peso das contas. Os gastos com salários e encargos somaram 149,2 milhões, acima do previsto, pressionando o resultado.

O resultado operacional ficou negativo em 4,4 milhões, frente a uma previsão de déficit de 26,1 milhões, que considerava vendas de jogadores no orçamento. Mesmo com o desempenho, o clube manteve uma receita líquida estável, sem influir diretamente no caixa.

Dívida, ativos e receitas futuras

O balanço aponta aumento significativo nos valores a receber nos próximos anos, chegando a 1,27 bilhão entre curto e longo prazo. Parte desse montante está ligado ao contrato de patrocínio máster com a Esportes da Sorte, válido até 2029, com recebimentos parcelados.

A dívida de curto prazo atingiu 1,21 bilhão ao fim de março, contra 979,7 milhões em dezembro de 2025. Em relação aos empréstimos com vencimento em até um ano, houve elevação de 146,7 milhões para 226,4 milhões, devido a antecipações de receitas.

As dívidas com a Receita Federal, que somam valores de curto e longo prazo, alcançaram 838 milhões, com cerca de 12,4 milhões vencendo no curto prazo no trimestre.

Liquidez e ajustes finais

O valor reservado para potenciais pagamentos de processos caiu de 447,2 milhões para 405,7 milhões no período. A mudança ocorreu principalmente após o pagamento da dívida com o Santos Laguna pela contratação de Félix Torres, quitada em janeiro por 41,6 milhões, incluindo encargos. Com isso, o clube encerrou processos na FIFA e na CAS e suspendeu punição que dificultava o registro de novos jogadores.

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