- O boom de patrocínio de casas de apostas passou e clubes brasileiros enfrentam nova realidade na busca por patrocínio no setor.
- A regulamentação, ainda em aperfeiçoamento, limitou o funcionamento das bets e impactou apoios a times, com relatos de dívidas crescentes em clubes como Corinthians e Botafogo.
- A regulação é considerada embrionária e a legislação no Brasil é descrita como uma “colcha de retalhos”.
- Há defesa de normalização das bets no futebol, com amadurecimento do mercado e decisões mais racionais sobre parcerias entre clubes e casas de apostas.
- O Projeto de Lei 3563/2024 pretende restringir publicidade de bets para combater vício e endividamento, enquanto a indústria defende atuação educativa voltada ao consumidor e à conscientização. Em perspectiva, pode ocorrer êxodo das bets a médio e longo prazo conforme a regulação avança.
Marcelo Damato, ex-secretário da SPA, analisa o estouro da bolha das patrocínios de casas de aposta durante o São Paulo Innovation Week. Em debate, clubes brasileiros reconfiguram contratos após o fim do boom de patrocínios no setor. A regulamentação avança, mas ainda é incompleta e afeta o fluxo de apoios ao futebol.
Segundo Damato, o crescimento acelerado nos patrocínios acabou quando a regulação passou a limitar operações. Ele aponta que Corinthians e Botafogo já enfrentam consequências, com empresas saindo ou buscando reorganização. O cenário revela empresas autorizadas em grande quantidade, mas com impactos ainda incertos.
Alvaro Garcia, CMO da Flutter Brazil, sustenta que chegará um momento de maior equilíbrio entre as apostas e o futebol. Ele afirma que as relações entre marcas e clubes devem se tornar mais racionais com o amadurecimento do mercado. O otimismo é de normalização gradual.
O debate também abordou a proposta de lei que restringe publicidade de apostas. O Projeto de Lei 3563/2024 visa reduzir vícios e endividamento familiar ao limitar anúncios em mídia e patrocínios. Defensores destacam ações educativas e maior rastreabilidade de impactos financeiros.
Bernardo Freire Cavalcanti, sócio da Betlaw, afirma que é possível estabelecer um ecossistema mais saudável com publicidade orientada ao consumidor. Ele propõe um alinhamento entre setor e reguladores para uma atuação responsável e esclarecedora sobre ludopatia e dívidas.
Especialistas ainda antecipam um provável êxodo parcial das bets, com empresas menores saindo conforme regras ganham força. A médio prazo, apostas consolidadas podem permanecer, enquanto a cauda longa tende a migrar para o entretenimento, segundo avaliações do debate.
Contexto do evento
O São Paulo Innovation Week é o maior festival de tecnologia e inovação da cidade, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. O evento ocorre no Pacaembu e na Faap, de quarta-feira (13) a sexta-feira (15). Participam mais de 2 mil palestrantes de áreas diversas.
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