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Risco de doping financeiro na expansão das SAFs no Brasil

Dívidas de R$ 16 bilhões e falhas regulatórias colocam em xeque a eficácia das SAFs, com recuperação judicial vista como doping financeiro

Elano (a direita da foto) e Paulo André durante o São Paulo Innovation Week
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  • Os 20 maiores clubes brasileiros somaram mais de R$ 16 bilhões em dívidas em 2025, aumento de 16% em relação a 2024.
  • A discussão, durante a São Paulo Innovation Week, aponta que apenas adotar o modelo SAF não resolve a carência de planejamento a longo prazo.
  • Pares do evento apontam falhas estruturais: falta de regras rígidas de fair play financeiro e punições, além de uso da recuperação judicial como muleta regulatória.
  • Como exemplo de responsabilidade, o Cruzeiro reestruturou o orçamento durante a Série B para evitar falência e alcançou salto financeiro ao subir para a Série A.
  • A receita do futebol brasileiro atingiu mais de R$ 15 bilhões em 2025, mas as despesas cresceram, com a folha salarial subindo de R$ 5 bilhões para R$ 6,3 bilhões.

O risco do modelo SAF no Brasil ganhou fôlego de debate após números recentes sobre endividamento. Clubes com modelo societário passaram a acumular dívidas que já somam mais de 16 bilhões de reais em 2025, um aumento de 16% frente a 2024, segundo levantamento da Sports Value. A discussão envolve efeitos reais no ecossistema do futebol nacional.

A transição para SAF, aprovada em 2021, desperta dúvidas sobre planejamento de longo prazo. Duas vozes do mercado esportivo participaram da São Paulo Innovation Week, entre 13 e 15 de maio: Elano, atual diretor da base do Santos, e Paulo André, gestor e ex-jogador. Eles destacaram a falta de cultura de planejamento como entrave estrutural.

Paulo André avaliou que a premissa da lei não foi complementada por regras de fair play financeiro com sanções desportivas. Em seu diagnóstico, a recuperação judicial acabou funcionando como uma muleta regulatória, dificultando a eficácia das medidas de controle de endividamento. O gestor comparou com o modelo europeu, onde direitos de transmissão seguem diretrizes que orientam investimentos.

A crítica se estende ao uso de mecanismos de recuperação judicial como alavanca financeira. Segundo ele, sem punição esportiva associada a inadimplência, o problema persiste. O exemplo da reestruturação orçamentária do Cruzeiro, com ajustes de gastos e planejamento para manter a competitividade, é apontado como modelo de responsabilidade financeira.

Elano argumentou que a pressão por resultados acelera decisões de curto prazo. O ex-atleta mencionou que o mercado brasileiro costuma exigir conquistas rápidas, o que pode comprometer a construção de projetos de longo prazo. O Palmeiras foi citado como exemplo de processo estruturado que permanece competitivo sem depender exclusivamente da SAF.

Desempenho financeiro do futebol brasileiro

Dados da Sports Value mostram que, apesar do crescimento de receitas, o endividamento permanece elevado. O setor gerou cerca de 15 bilhões de reais em 2025, 36% acima de 2024, impulsionado por aumentos de receita em clubes de maior expressão. No entanto, o crescimento de custos, especialmente com folha salarial, elevou despesas para aproximadamente 6,3 bilhões no ano.

A folha salarial representou cerca de 6% do faturamento total, sinalizando pressão sobre margens de lucro. O estudo aponta que o aumento de custos contrasta com o crescimento de receitas, elevando a necessidade de estratégias de sustentabilidade financeira para o longo prazo. Os dados reforçam a percepção de que a expansão da SAF exige mudanças estruturais regulatórias e de governança.

O diagnóstico aponta ainda para a importância de diretrizes claras de gestão financeira e punições, para evitar que o endividamento comprometa a estabilidade do futebol brasileiro. A discussão sobre governança, planejamento e responsabilização deve pautar futuras decisões de políticas públicas e de gestão de clubes.

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