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Ponte enfrenta fila na Justiça e dívidas, inclusive com padarias

Crise financeira da Ponte Preta eleva dívidas, atrasa salários e aciona ações trabalhistas, incluindo dívida de R$ 53 mil com padaria

Ponte Petra vive crise sem fim com 11 meses de salários atrasados — Foto: Reprodução/Gemini
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  • A Ponte Preta apresentou déficit de R$ 33 milhões em 2025, com receitas de R$ 23,5 milhões e custos próximos de R$ 50 milhões, conforme avaliação financeira.
  • Salários atrasados há mais de onze meses e uma série de pendências geram dezenas de ações trabalhistas contra o clube, estimando cerca de cinquenta processos.
  • Em meio ao caos financeiro, houve registro de dívida de R$ 53 mil com uma padaria, reforçando o alcance das pendências.
  • Esportivamente, o clube vê o rebaixamento no Paulistão, queda na Copa do Brasil e dificuldade de contratar em 2026, com o transfer ban sendo mantido em vigor.
  • A diretoria jurídica afirma que os números podem variar conforme instrução processual, enquanto o clube busca acordos e soluções para manter a Ponte Preta na Série B.

A Ponte Preta vive uma crise financeira que respinga diretamente no campo e nos bastidores do clube. Salários atrasados há mais de 11 meses e uma dívida que ultrapassa o orçamento mensal imprimem um cenário de tensão que já afetou inclusive contratações e o desempenho esportivo recente.

Na esfera econômica, o clube aprovou, em abril, um déficit de aproximadamente 33 milhões de reais, com receitas estimadas em 23,5 milhões. Analistas apontam que decisões de 2025, visando retorno à Série B, ampliaram o peso das despesas, elevando o risco financeiro do clube em curto e médio prazo.

A situação gerou cobrança judicial: acredita-se que dezenas de ações trabalhistas correm na Justiça, envolvendo atletas, ex-funcionários e ex-técnicos. Advogados que atuam para credores indicam um volume expressivo de processos, enquanto a diretoria jurídica da Ponte ressalta que muitos casos dependem de instrução processual e podem ser julgados improcedentes.

Entre jogadores e funcionários, relatos apontam dificuldades para manter a rotina. Um ex-jogador, que atuou na campanha da conquista da Série C, descreveu impactos no bem‑estar mental, com a necessidade de apoio psicológico, e citou a busca de fontes alternativas de renda para sustentar a família durante o vínculo com o clube.

A tela do dia a dia no Moisés Lucarelli revela mais desafios: pagamentos devidos não chegam com regularidade, e há quem tenha feito atividades paralelas para sustentar a renda familiar. Em paralelo, existe desencaixe entre promessas de regularização e a prática de quitação das pendências fragmentadas ao longo dos meses.

O clube reconhece que o passivo pode crescer, dependendo de instruções processuais e de eventuais recursos. A Ponte afirma que a prioridade é manter o equilíbrio financeiro e quitar os salários, buscando acordos com credores e atletas para evitar novos impactos.

Impactos esportivos e operacionais

A crise já atingiu o relacionamento com o mercado de transferências, com bloqueios impostos por órgãos reguladores. Em 2026, o clube enfrentou blocos que impediram contratações, contribuindo para resultados esportivos desfavoráveis e para o risco de novo rebaixamento na competição nacional.

Conselhos administrativos apontam que a continuidade da operação depende de soluções estruturais, incluindo planejamento financeiro rigoroso e renegociação de dívidas. A defesa jurídica da Ponte sustenta que as ações continuam em curso e que cada caso será avaliado com base nas instruções processuais.

O cenário atual reforça o desafio de reconquistar credibilidade junto a patrocinadores, torcedores e mercados locais. Sem controle claro sobre o fluxo de caixa e com a necessidade de estabilizar salários, o clube encara a busca por recuperação econômica como requisito para a retomada das atividades esportivas e administrativas.

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