Pelo jeito, o problema era mesmo o Mbappé? A frase é forte, até injusta se for tratada como verdade absoluta, mas ganhou força no imaginário do torcedor. Dois anos depois da saída do craque francês, o PSG voltou a disputar finais de Champions League e fez aquele vídeo de Luis Enrique sobre coletividade parecer cada […]
Pelo jeito, o problema era mesmo o Mbappé? A frase é forte, até injusta se for tratada como verdade absoluta, mas ganhou força no imaginário do torcedor.
Dois anos depois da saída do craque francês, o PSG voltou a disputar finais de Champions League e fez aquele vídeo de Luis Enrique sobre coletividade parecer cada vez mais atual.
A mudança não passa apenas pela ausência de Mbappé. O ponto central está na forma como o PSG deixou de jogar em função de uma superestrela e passou a funcionar como equipe.
Luis Enrique recuperou a ideia de coletivo, reorganizou o time e deu protagonismo a jogadores que, em muitos casos, chegaram sem o peso midiático dos antigos astros.

Durante anos, o Paris tentou conquistar a Europa com nomes gigantes. Messi, Neymar e Mbappé formaram um dos trios mais talentosos da história recente do futebol.
Somados, os investimentos ligados aos três chegaram perto de 500 milhões de euros. O impacto era enorme, mas a Champions não veio.
Agora, a conta chama atenção por outro motivo. O atual time titular do PSG custa um valor próximo ao daquele trio, cerca de 495 milhões de euros, mas a lógica é completamente diferente. Em vez de concentrar tudo em três gênios, o clube montou um elenco com várias peças certas no lugar certo.
O PSG menos estrelado virou mais competitivo
Safonov chegou do Krasnodar, da Rússia, sem status de estrela, mas ganhou espaço e passou a responder em jogos grandes. Hakimi já tinha passado por Real Madrid, Borussia Dortmund e Inter de Milão antes de encontrar em Paris um ambiente para se consolidar entre os principais laterais do mundo.
Na defesa, Pacho saiu do Eintracht Frankfurt e rapidamente se tornou uma peça importante no sistema de Luis Enrique. Marquinhos, o jogador mais antigo do time titular, também mudou de narrativa. Depois de muitas críticas em temporadas anteriores, voltou a ter atuações de liderança e peso em momentos decisivos.
Nuno Mendes é outro exemplo da nova construção parisiense. Contratado após se destacar no Sporting, virou um dos laterais esquerdos mais fortes do futebol europeu.
No meio, João Neves chegou mais caro, mas já não é apenas promessa. É uma realidade do futebol português e uma peça de intensidade, pressão e qualidade técnica.
Vitinha talvez seja uma das maiores provas da mudança de olhar do PSG. Sem espaço no Wolverhampton, onde concorria com nomes como Rúben Neves e João Moutinho, voltou ao Porto e foi observado pelo clube francês como uma oportunidade. Em Paris, virou um dos símbolos técnicos do novo projeto.
Fabián Ruiz também cresceu com o tempo. Contratado por cerca de 21 milhões de euros, teve um começo sem tanto brilho, mas encontrou função no esquema de Luis Enrique e passou a ser fundamental para o equilíbrio do meio-campo.
O ataque também mudou de perfil
No ataque, Kvaratskhelia chegou da Napoli já como um jogador de destaque europeu. Mesmo assim, sua contratação reforçou a ideia de um PSG mais atento ao encaixe do que ao impacto midiático puro.
Dembélé, por sua vez, representa outro caso emblemático. Depois de uma passagem marcada por lesões, irregularidade e cobranças no Barcelona, chegou ao PSG por 50 milhões de euros.
E ainda há Désiré Doué. Contratado do Rennes após disputa com o Bayern de Munique, o jovem de 19 anos mostrou personalidade em jogos grandes e colocou seu nome entre as principais promessas do futebol francês.
A pergunta que fica
Tudo isso custou praticamente o mesmo que o antigo trio de gênios. A diferença é que, desta vez, o PSG parece menos dependente de um nome e mais preparado como time.
A Champions poderia ter vindo antes, especialmente se a final de 2020 tivesse terminado de outra forma. Talvez, nesse caso, a conversa fosse outra.
Mas o futebol raramente premia apenas talento acumulado. O PSG aprendeu da maneira mais cara que juntar craques não significa montar uma equipe.
A pergunta que fica é simples: vale mais ter uma superestrela ou várias peças certas no lugar certo?
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