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Atlético-MG, Botafogo e Corinthians somam 43% das dívidas do Brasil

Atlético-MG, Botafogo e Corinthians respondem por quarenta e três por cento das dívidas nacionais; prazos longos para quitar e altos encargos mantêm o problema apontado pelo especialista

Atlético-MG é o clube mais endividado do Brasil, e a Arena MRV só responde por parte do montante
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  • Atlético-MG lidera o endividamento, com R$ 2,632 bilhões; Corinthians tem R$ 2,466 bilhões e Botafogo, R$ 2,525 bilhões, juntos respondendo por 43% das dívidas no Brasil.
  • Os custos de arenas (MRV e Neo Química Arena) estão incluídos, mas não explicam sozinhos os números; a gestão financeira é apontada como o principal problema.
  • Pela projeção com reserva de 20% da receita, o Atlético-MG levaria 41,2 anos para quitar as dívidas, o Botafogo 24,6 anos e o Corinthians/Cruzeiro, 23,4 anos.
  • A dívida em relação à receita indica o Atlético-MG em 3,93 vezes, o Corinthians em 2,5 vezes e o Botafogo em 1,84 vez a receita anual.
  • Santos e Internacional também enfrentam endividamento significativo, ainda que em escala menor, com problemas semelhantes aos de Atlético-MG, Botafogo e Corinthians.

O Atlético-MG, o Botafogo e o Corinthians lideram o ranking de endividamento no Brasil, somando 43% das dívidas. O total está em torno de R$ 7,6 bilhões, com o conjunto ainda sem solução de curto prazo. A avaliação é de consultor César Grafietti.

O levantamento aponta que o Atlético-MG acumula R$ 2,632 bilhões de dívidas, crescimento em relação a 2024. O peso vem, em parte, do custo de construção da Arena MRV, que integra o montante total. O Corinthians tem R$ 2,466 bilhões devidos, com a Neo Química Arena incluída nesses números. O Botafogo registra R$ 2,525 bilhões, apesar de ter sido o maior vendedor de atletas no último ano.

Grafietti explica que o problema vai além das arenas. Segundo o especialista, a gestão ao longo dos anos é o principal fator. — Atlético Mineiro e Corinthians sofrem com dívidas ligadas aos estádios, mas o crescimento não se explica apenas por isso, aponta. — afirma. Ele cita gastos acima da arrecadação e contratações impulsionadas pela necessidade de competitividade.

Operação financeira e impacto

Segundo o economista, o modelo de gestão causa dependência de aportes de capital. Ele cita que o Atlético-MG opera no vermelho de forma recorrente, o que aumenta a necessidade de recursos externos. No Corinthians, a dívida da arena soma R$ 700 milhões, somada a gastos que excedem a arrecadação.

Grafietti ressalta que, mesmo com juros, a simples renegociação não resolve. — Contratações erradas, gastos excessivos e atrasos em encargos e impostos elevam o endividamento, acrescenta. A taxa Selic, em 14,5%, agrava a correção do saldo devedor.

Projeções de amortização e relação com a receita

O relatório estima uma reserva de 20% das receitas anuais para amortização de dívidas. Com isso, o Atlético-MG levaria 41,2 anos para quitar tudo, o Botafogo, 24,6 anos, e o Corinthians, 23,4 anos, dependendo da evolução atual. A dívida tende a corrigir junto com juros.

A relação dívida/receita aponta o Atlético-MG com valor próximo a 3,93 vezes a receita anual. O Corinthians fica em 2,5 vezes, e o Botafogo em 1,84 vez, com base na média de 12 meses. O cenário reflete pressão financeira contínua sobre os clubes.

Outros clubes em situação semelhante

Grafietti aponta que Santos e Internacional atuam com problemas de escala menor, mas com dinâmicas parecidas. Segundo ele, gestões financeiras fracas levaram a acúmulo de dívidas acima do que as receitas permitiriam. Os casos sugerem tendência de agravamento em cenários semelhantes.

— Análise mostra que, no longo prazo, contratos, gastos e gestão desequilibrada geram desequilíbrios repetidos, aponta o economista. A reportagem evidencia que o tema envolve questões estruturais de gestão, não apenas custos de arenas.

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