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Folha pioneira no uso de estatísticas na cobertura de futebol

Folha introduz estatísticas no futebol com o Datafolha na final do Paulista de 1985, abrindo caminho para análises táticas e adoção por clubes e federações

Da esq. para dir., Otavio Frias Filho, Dacio Nitrini, Caio Túlio Costa, Carlos Eduardo Lins da Silva, Luiz Novaes, Domingos Ferreira Alves e Jair de Oliveira (sentado, à frente do computador) na Redação da Folha em 1985, quando o jornal inovou com estatísticas na cobertura do futebol
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  • A Folha foi pioneira na análise estatística do futebol, iniciando esse uso durante a final do Campeonato Paulista de 1985 com o Datafolha.
  • A equipe do Datafolha, treinada para contabilizar fundamentos de times e de cada jogador, passou a registrar chute, cabeceio, passes, cruzamentos, dribles, faltas e mais.
  • A estreia dos dados ocorreu nos dois jogos da final entre São Paulo e Portuguesa, com os números surgindo em quadros na edição de 16 de dezembro de 1985.
  • Em 23 de dezembro de 1985, a Folha publicou quadros detalhados de desempenho de times e jogadores, chegando a exibir exemplos como o maior driblador da equipe campeã.
  • O uso de estatísticas enfrentou resistência inicial, mas foi ganhando espaço, culminando na Copa do Mundo de 1986 e, posteriormente, no lançamento do FolhaStats para aprofundar a cobertura estatística.

Em meados dos anos 1980, a Folha passou a operar sob o Projeto Folha, buscando objetividade, concisão e pluralidade na redação. À frente, Otavio Frias Filho orientou mudanças que impactaram a cobertura do futebol.

A equipe de Redação aceitou o desafio de Antonio Manuel Teixeira Mendes, então diretor do Datafolha. O objetivo era contabilizar fundamentos de jogo de cada time e de cada jogador, como chutes, cabeceios, passes, dribles e faltas, para oferecer análises mais precisas.

A estreia ocorreu na final do Campeonato Paulista de 1985, entre São Paulo e Portuguesa, com estatísticas apresentadas em quadros discretos nas edições de dezembro. A cobertura ganhou destaque na edição do título paulista, com dados sobre desempenho de jogadores.

O jornal passou a disponibilizar dados detalhados sobre os dois times e seus atletas, incluindo exemplos como o ponta Sidney, principal driblador da campanha vitoriosa. A inovação provocou resistência inicial de parte da imprensa e da própria redação, que questionavam a viabilidade de números no futebol.

Seis meses depois, o Datafolha ampliou o uso de estatísticas na Copa do Mundo do México de 1986. A Folha publicou quadros de aproveitamento individual, diagramas de ataques e um índice de produtividade criado a partir de ataques, erros e faltas.

Para a Copa de 86, o índice foi desenvolvido por Luis Eduardo Salvucci Rodrigues e Marco Antonio Figueiredo de Castro, com apoio de uma equipe de dez pesquisadores do Datafolha durante os 90 minutos de cada jogo. Os dados geravam textos e gráficos nas editorias de Esporte e Arte.

Apesar da aceitação gradual, a estatística esportiva não se consolidou de imediato entre jornalistas na época. Em jogos sem transmissão, as equipes chegavam aos estádios para registrar informações, o que exigia presença física e trabalho intenso.

Com o tempo, o recurso ganhou adesão de emissoras e de outros veículos, levando o Datafolha a atender federação, clubes e seleções para fornecer informações detalhadas. O trabalho lançou um amplo banco de dados que alimentou, entre outros, livros sobre o futebol paulista.

FolhaStats e a era de dados

Para a Copa do Mundo seguinte, a Folha lançou o FolhaStats, um serviço com dados de jogadores, leituras táticas e demais temas. O projeto prevê a circulação de cards estatísticos e textos de colunistas via WhatsApp, até a estreia do torneio.

A partir do início dos jogos, o FolhaStats passa a disponibilizar estatísticas completas de todos os 104 jogos, com acesso para assinantes. A iniciativa conta com a participação da DeltaFolha, a editoria de análise de dados do jornal.

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