- Relatório do Itaú BBA aponta que streams já respondem por mais de 20% do mercado de direitos de transmissões esportivas, estimado em US$ 58 bilhões.
- No Brasil, o mercado endereçável para mídia esportiva é de R$ 5,4 bilhões, com potencial de chegar entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões no longo prazo.
- O Brasileirão movimenta R$ 2,8 bilhões em direitos de transmissão e hoje é dividido entre duas ligas: Libra e Federação de Futebol (FFU).
- Avanços regulatórios desde 2021, como a Lei do Mandante e a Lei da SAF, permitiram maior profissionalização e o surgimento de plataformas como Libra e FFU.
- O Itaú avalia a possibilidade de fusão entre as ligas como viável, embora permaneça incerta e sujeita a riscos de execução; uma estrutura unificada poderia ampliar o valor dos direitos e facilitar oportunidades comerciais.
O mercado de transmissão de esportes vive mudanças acentuadas nos últimos anos, impulsionadas pela expansão de plataformas de streaming. No Brasil, há espaço para pacotes mais robustos e maior poder de barganha das ligas, com abertura para novos produtos comerciais.
Um relatório do Itaú BBA avalia esse cenário, destacando que streams já respondem por mais de 20% do mercado global de direitos de transmissão esportiva, estimado em US$ 58 bilhões. O estudo cita investimentos crescentes em clubes e ecossistema.
Segundo a analista Maria Clara Infantozzi, renovações com ligas tem apresentado aumentos acima de 100% e, em alguns casos, ganhos de pelo menos US$ 1 bilhão por ano. O valor de conteúdo esportivo ao vivo é destacado como fator de escassez e valorização.
O documento ressalta que a competição entre plataformas elevou as ofertas e confirmou o valor de ativos de mídia esportiva de qualidade. A visão é de que canais digitais ajudam a alcançar audiências globais de forma mais ampla.
A pesquisa aponta que o mercado endereçável da mídia esportiva no Brasil hoje é de cerca de R$ 5,4 bilhões, com projeção de 7 a 12 bilhões no longo prazo, implicando um crescimento em dois dígitos nos próximos anos.
Para o Itaú, a aceleração depende de governança, profissionalização na venda de direitos e maior coordenação entre as ligas. O estudo também cita a necessidade de ampliar o ecossistema do futebol brasileiro.
No atual cenário, grande parte dos direitos de transmissão do Brasileirão fica sob duas ligas, Libra e FFU, com participação de R$ 2,8 bilhões. Esse patamar é inferior ao de rivais internacionais, como a Serie A, La Liga, Bundesliga e Premier League.
Segundo o relatório, as diferenças de governança e maturidade do mercado explicam parte do gap. Mesmo assim, há espaço para melhorar a monetização conforme o ecossistema se profissionaliza.
O Itaú relembra que o mercado brasileiro de direitos esportivos funcionava, por anos, com um modelo centralizado de venda para a Globo. Em 2021, surgiram mudanças com a Lei do Mandante e a Lei da SAF.
Essas mudanças facilitaram formatos de negociação e a entrada de investimentos institucionais, impulsionando a criação de Libra e FFU e o surgimento de plataformas como a LiveMode.
O fim do monopólio da Globo elevou o valor total dos direitos do Brasileirão de R$ 1,6 bilhão em 2015 para cerca de R$ 2,8 bilhões atuais, segundo o relatório.
A análise aponta que a monetização do futebol brasileiro pode melhorar com estruturas de direitos mais organizadas, maior base de compradores e relevância crescente dos eventos esportivos.
Entre as questões em aberto, o Itaú destaca a possibilidade de fusão entre as duas ligas como tema relevante, mas não como cenário-base. O caminho é visto como incerto, dada a diversidade de interesses.
Caso venha a ocorrer, uma estrutura unificada poderia ampliar o pacote de direitos, simplificar negociações e potencialmente aumentar o poder de negociação nas licitações de mídia.
A centralização também poderia facilitar oportunidades comerciais, como naming rights, padronização de marca e ampliação de inventário ao redor das transmissões, incluindo conteúdos pré, intervalo e pós-jogo.
Além disso, o relatório sustenta que uma liga mais integrada poderia melhorar a experiência do torcedor, com investimentos em qualidade de transmissão, gramados e iluminação.
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