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Mais altos, mais rápidos, mais velhos: evolução do corpo dos melhores jogadores

Especialistas apontam que avanços médicos, treino e ritmo de jogo elevaram altura, magreza e velocidade dos jogadores de elite nas últimas cinco décadas

O lendário esquadrão brasileiro da Copa de 1970 levou pouco mais de 30 segundos para marcar seu histórico gol em jogada coletiva... - (crédito: Reuters)
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  • Ao longo de cinquenta anos, jogadores de elite ficaram mais altos e magros, com a altura média aumentando de cerca de 1,77 m em 1973 para 1,81 m em 2023, e meio-campistas/atacantes mantendo leve queda de altura.
  • O corpo dos atletas evoluiu devido a melhores campos, treino, medicina e estilo de jogo, levando a uma “batalha por cada centímetro” no campo e necessidade de mais velocidade e força.
  • A velocidade individual aumentou: na Copa de 2022 houve jogadores atingindo mais de 35 km/h; na Eurocopa de 2024, a média de distância percorrida foi de 10,6 km por jogo, variando por posição.
  • A frequência de jogos aumentou para atletas de elite: clubes costumam disputar cerca de quarenta e duas partidas por ano, com alguns jogadores enfrentando altas cargas de jogos e poucos períodos de recuperação.
  • A idade média em grandes competições é crescente: Copas recentes foram as mais velhas da história, com 72 jogadores de 35 anos ou mais em 2026, e oito com 40 anos ou mais; a Champions League também ficou mais velha, de 24,9 anos em 1992 para 26,5 em 2018.

Após meio século de estudo, médicos e especialistas em ciência do esporte apontam mudanças profundas na fisiologia dos jogadores de elite. Avanços na medicina, no treinamento e no modo de disputa impulsionaram o tamanho, a velocidade e o desgaste físico de atletas da seleção mundial.

Dados de pesquisas mostram que, entre 1973 e 2013, a altura média dos jogadores da principal liga inglesa aumentou mais de 4 cm, com tendência a corpos mais magros em guarda-costas do futebol moderno. O estudo também indica que goleiros e zagueiros ficaram mais altos, enquanto meio-campistas e atacantes mantiveram mudanças menores.

A explicação passa pelo campo bem cuidado e pela intensidade das partidas atuais. Os pesquisadores associam o aumento da altura e da magreza à melhoria de estruturas físicas, maior carga de trabalho e recuperação mais eficiente, fatores que reduzem o risco de queda de rendimento ao longo de longas temporadas.

Correndo mais rápido e por mais tempo, o futebol de hoje exige repetidas acelerações. Na Copa do Mundo de 2022, Catar, pelo menos 10 jogadores alcançaram velocidades acima de 35 km/h. A prática de alta pressão tática também elevou a cadência de arrancadas durante as partidas.

Estudos recentes apontam que a distância percorrida por jogadores de elite ficou estável, em torno de 10,6 km por jogo na Copa de 2022, com variações conforme a posição em campo. A busca não é apenas por velocidade isolada, mas pela capacidade de recuperação entre ações intensas.

A sobrecarga de partidas preocupa atletas e entidades. O zagueiro Virgil van Dijk, do Liverpool, disputou 65 jogos na temporada, com participação em 10 partidas pela seleção nacional, antes da Copa. A Fifpro observou que o volume tem aumentado de forma contínua, elevando o risco de lesões.

Especialistas ressaltam que o tempo de recuperação é crucial. Um estudo encomendado pela UEFA, publicado em 2023, indicou um aumento nas lesões musculares da coxa ao longo de oito temporadas, com fatores como maior intensidade e calendário cheio sendo citados como possíveis causas.

Mesmo com o aumento de exigência, a ciência do esporte traz sinais positivos. A idade média de participação na UEFA Champions League subiu de 24,9 anos, em 1992, para 26,5 em 2018. Na Copa do Mundo, as edições mais recentes registraram maiores índices de jogadores acima de 35 anos.

A edição de 2026 também traz números expressivos: 72 atletas com 35 anos ou mais foram inscritos pela FIFA, sendo oito com 40 anos ou mais. Especialistas ressaltam que cuidando bem da saúde, os atletas têm chances reais de manter-se na elite por mais tempo.

Olhando para o futuro, a combinação de nutrição, treino periódico, recuperação e manejo de cargas é apontada como o principal motor da longevidade no futebol moderno. A tendência aponta para atletas mais velhos em desempenho elevado, desde que adotem protocolos de preparação adequados.

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