- O Santos teve déficit contábil de R$ 50,5 milhões nos três primeiros meses de 2026, e a dívida geral superou R$ 1 bi.
- O Passivo Total em 31 de março de 2026 foi de R$ 1.094.039.000; o Conselho Fiscal afirma que deveria ser R$ 1.163.739.000 por haver receitas diferidas não reconhecidas financeiramente.
- A divergência ocorre pela exigência de confissão de dívida com a empresa de Neymar, enquanto a diretoria registra de forma gradual.
- As despesas com direitos de imagem quase dobraram, de R$ 25,9 milhões para R$ 50,8 milhões, no trimestre.
- A receita total foi de R$ 212.822.457, com R$ 102.421.309 vindos da venda de direitos federativos e empréstimos; a venda de Souza ao Tottenham teve peso relevante.
O Santos registrou déficit contábil de 50,5 milhões de reais nos três primeiros meses de 2026, levando a dívida geral do clube a superar 1 bilhão. Os números integram o Relatório do Conselho Fiscal do 1º Trimestre, que será apresentado na reunião do Conselho Deliberativo nesta terça (23).
O passivo total, em 31 de março, foi de 1.094.039.000 reais, excluindo receitas diferidas. O Conselho Fiscal aponta que deveria constar 1.163.739.000 reais, pois receitas garantidas em contrato ainda não foram reconhecidas financeiramente. A divergência envolve a exigência de confissão de dívida com a empresa de Neymar.
A diferença decorre do registro gradual da dívida, segundo o CF, e da exclusão de receitas diferidas por valores já garantidos. O órgão fiscaliza a necessidade de reconhecer essas dívidas sem atraso para evitar impactos futuros no caixa.
Dívida, direitos de imagem e desempenho financeiro
Entre janeiro e março de 2026, as despesas com direitos de imagem quase dobraram, passando de 25,9 milhões para 50,8 milhões. Apesar do déficit contábil, o balancete registrou saldo negativo menor que o projetado no orçamento, que previa 66,9 milhões de déficit.
O Santos teve superávit operacional de 8,17 milhões, ante previsão de déficit de 21,38 milhões. A recuperação veio principalmente do mercado de transferências dos jogadores. A receita total somou 212,8 milhões no trimestre, acima do orçamento de 101,1 milhões, com 102,4 milhões originários da venda de direitos federativos e de empréstimos.
A venda do lateral Souza ao Tottenham, pouco acima de 90 milhões, foi o principal impulsor da receita. Em contrapartida, os gastos com o elenco subiram de 14,1 milhões para 29,6 milhões mensais entre dezembro e março.
O programa de sócio-torcedor enfrentou redução contínua de cadastros, com 57,3 mil ativos em janeiro, 56,4 mil em fevereiro e 54,1 mil em março. A queda representa impacto relevante para a base de arrecadação.
Perspectivas e observações do CF
O Conselho Fiscal conclui que o exercício ficou dentro do orçamento anual, mas ressalta necessidade de austeridade para conter novas dívidas e renegociar passivos antigos. O CF aponta atrasos nos pagamentos de salários e direitos de imagem no 1º trimestre, advertindo contra a repetição.
Parte dessas pendências foi regularizada no 2º trimestre, segundo o relatório. O CF também aponta a divergência contábil da confissão de dívida e afirma que continuará monitorando a situação, esperando reajustes contábeis nos próximos balancetes.
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