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Pioneiras do futebol contam trajetória no programa Sem Censura

Pioneiras do futebol feminino participam do Sem Censura, relembram o Radar e a regularização do esporte em 1980, além da lei que assegura R$ 500 mil às atletas

Programa *Sem Censura*, da *TV Brasil*, recebe pioneiras do futebol feminino a um ano da Copa do Mundo da modalidade no país - Foto *Rodrigo Peixoto/TV Brasil*
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  • O programa Sem Censura, da TV Brasil, recebeu três pioneiras do futebol feminino: Marilza Martins da Silva (Pelezinha), Marisa Pires (Caju) e Márcia Matos (Russa.

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  • O futebol feminino foi proibido desde a década de quarenta e só foi regularizado em mil‑oito-zero; o Esporte Clube Radar, em Copacabana, foi o pioneiro na modalidade sob a liderança de Eurico Lyra.
  • As atletas do Radar chegaram a representar a Seleção Brasileira Feminina na China em mil‑novecento oitenta e oito; Pelezinha relembrou a emoção de vestir a camisa amarelinha.
  • A capitã da seleção, Marisa Pires, afirmou que os estádios sempre foram lotados, e que, na época, as jogadoras recebiam apenas “bicho” por jogo, sem salário fixo.
  • A lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegura o pagamento de R$ 500 mil às atletas que defenderam o Brasil entre mil‑oito‑oitenta e mil‑nove‑um; Michel Jackson (Marileia dos Santos) foi citada como incentivadora desse avanço.

O programa Sem Censura, da TV Brasil, exibiu nesta sexta-feira 26 uma reportagem sobre mulheres que abriram caminho no futebol feminino, proibido por decreto de Getúlio Vargas nos anos 1940 e que só foi regularizado em 1980. O foco foi o Esporte Clube Radar, de Copacabana, pioneiro na modalidade na década de 1980.

As convidadas foram Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha; Marisa Pires, a Caju, primeira capitã da seleção brasileira feminina; e Márcia Matos, a Russa, que disputou o Mundialito e foi bicampeã sul-americana em 1991 e 1995. As atletas atuaram pelo Radar, fundado em 1932, na zona sul do Rio de Janeiro.

História do Radar e da equipe feminina

Sob a liderança do empresário Eurico Lyra, o Radar incorporou o futebol feminino em 1981, tornando-se base para a seleção brasileira nos anos 80. Pelezinha ganhou o apelido ao treinar na areia, pela leveza do drible. Em 1988, Eurico informou que as atletas representariam a Seleção Brasileira na China, vestindo a camisa amarela com o emblema da CBF ao lado do escudo do Radar.

Caju, capitã da seleção no primeiro Mundial, recordou que, naquela época, as jogadoras não tinham salário fixo e recebiam apenas bicho por partida, quando havia lucro ou não. A história é lembrada como exemplo de dedicação e luta para elevar o futebol feminino no país. A reportagem também mostrou a importância dos estádios cheios, segundo a capitã, e o papel da torcida no desenvolvimento do esporte.

Reconhecimento e legado

Durante a entrevista, fãs e vizinhos de Copacabana lembraram o entusiasmo das partidas antigas e a percepção de que o futebol feminino já atraía grande público, mesmo enfrentando limitações financeiras. A presença de Marisa Pires na equipe brasileira é destacada como marco histórico para o esporte.

Atores do processo de reconhecimento mencionaram a Lei sancionada pelo presidente Lula, assegurando o pagamento de 500 mil reais a atletas que representaram o Brasil entre 1988 e 1991. Segundo Caju, a medida demorou quase quatro décadas, mas chegou para reconhecer o valor das pioneiras. A premiação também se estende aos familiares das atletas já falecidas.

Márcia Matos destacou o papel de Michel Jackson, Marileia dos Santos, que atua no Ministério do Esporte e atuou discretamente para viabilizar o benefício. A Russa elogiou a mobilização que permitiu que as pioneiras recebam a quantia prevista, ressaltando a importância dessa conquista para a continuidade do esporte no país.

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