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Estudo mostra que pensamento racional tem baixa acurácia ao prever placares

Estudo mostra que raciocínio racional tem poucas chances de acertar placares, com heurísticas influenciando previsões no futebol

Foto colorida de grupos de torcedores do Brasil em jogos de futebol - Metrópoles
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  • Um estudo que usa dados da Liga espanhola até 2010 e Copas do Mundo até 2010 mostra que empates não são tão prováveis quanto parece: 26,7% das partidas da liga terminaram empatadas em quase 15 mil jogos.
  • Nas Copas, os resultados mais comuns foram 1 a 0, 2 a 1, 2 a 0 e 1 a 1, mostrando que vitórias costumam predominar sobre empates.
  • Quando participantes consideraram trajetórias diferentes para somar pontos, 80,3% previram vitória de uma equipe e apenas 19,7% mantiveram o empate.
  • A parte anterior aponta que a previsão de empate fica baixa diante de informações adicionais, sugerindo viés na percepção.
  • A explicação envolve economia comportamental: heurísticas e vieses cognitivos — como excesso de otimismo, mão quente, representatividade, números pequenos e superinferência — que afetam previsões esportivas.

O estudo analisa como atalhos mentais influenciam previsões sobre placares de futebol, conectando o tema à economia comportamental. O texto foi elaborado por Armenio Pérez Martínez, da Universidad Laica Vicente Rocafuerte, e publicado na The Conversation Brasil. A pesquisa utiliza dados da Liga Espanhola até 2010 e resultados de Copas do Mundo para questionar previsões baseadas apenas na pontuação.

Segundo os dados, quando duas seleções empatadas na tabela enfrentam-se, 68,2% dos entrevistados apontam empate como resultado provável. A leitura sugere racionalidade à primeira vista, mas números históricos apontam o contrário. Em 14.937 partidas da Liga, apenas 26,7% terminaram empatadas.

O estudo compara ainda resultados de Copas do Mundo até 2010, com favoritos como 1 a 0, 2 a 1 e 2 a 0 entre as margens de vitória mais comuns. Esses registros contradizem a premissa de que empate seria o resultado mais provável entre equipes com pontos iguais.

Além disso, a pesquisa apresenta cenários hipotéticos, como equipes com trajetórias de vitórias e derrotas distintas. Nessa hipótese, 80,3% previram vitória de uma das equipes, enquanto 19,7% mantiveram o empate. A maioria favorece a equipe sem derrotas até aquele momento.

Explicação e implicações

Os autores sugerem que informações adicionais alteram previsões, desmontando a ideia de previsão estável segundo o princípio da invariância. Esses efeitos são estudados dentro da economia comportamental, que cruza economia e psicologia para entender decisões humanas.

A economia comportamental envolve heurísticas e vieses cognitivos, explicando por que previsões esportivas fogem da estatística. Entre os vieses, aparecem o excesso de otimismo, a “mão quente”, a representatividade, o viés de números pequenos e a superinferência.

A pesquisa aponta que, no futebol, o pensamento intuitivo tende a superestimar sequências vitoriosas e subestimar a importância da estatística. O estudo reforça a ideia de que decisões rápidas nem sempre correspondem à racionalidade de longo prazo.

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