- Alessandro Brito, ex-diretor do Botafogo, deixou o clube no fim de maio e vai atuar no Crystal Palace, na Inglaterra, a partir de julho, assumindo o cargo de head scout da América do Sul, Norte e Central.
- Brito afirmou que a gestão multiclubes, com Botafogo, Lyon e Molenbeek, funcionou bem até a ruptura após o Mundial de Clubes, quando o contato entre os clubes foi reduzido e o planejamento ficou comprometido.
- O modelo de caixa único facilitava decisões conjuntas sobre contratações; segundo ele, a decisão final era de John Textor, mas todo o processo era participativo, com elaboração de relatórios antes da confirmação.
- O ex-diretor lembrou que, apesar do sucesso técnico e financeiro, houve alerta após as conquistas de Brasileirão e Libertadores de 2024, quando o caixa do Botafogo ficou zerado, apesar das premiações na temporada.
- Brito destacou Igor Jesus como a contratação mais marcante de sua passagem, elogiando seu papel nas conquistas e na valorização econômica do Botafogo, que segundo ele, ajudou a consolidar o clube no mercado.
Alessandro Brito, ex-diretor do Botafogo, deixou o clube há um mês e está revisitando a gestão, comentando contratações e a surpresa após os títulos: o caixa do clube estaria zerado. O relato é feito em entrevista exclusiva ao ge.
Brito participou ativamente da SAF com Textor, atuando em quase todos os processos de contratações. O modelo multiclubes reuniu Botafogo, Lyon e Molenbeek sob um único planejamento, com decisões tomadas de forma integrada pela Eagle.
Segundo ele, o desenho financeiro permitia troca constante de informações entre os clubes. A gestão de contratações era horizontal, com o aval final de John Textor em razão da responsabilidade financeira.
Impacto da ruptura na Eagle
Brito aponta que a ruptura ocorreu após o título de 2024, quando o Botafogo conquistou Brasileirão e Libertadores, mas o caixa ficou zerado. Premiações acima de R$ 261 milhões não evitaram o desequilíbrio financeiro percebido.
O ex-diretor explica que a crise afetou o fluxo de informações entre Botafogo, Lyon e demais clubes da plataforma, interrompendo o planejamento conjunto que vinha sendo desenvolvido.
Para ele, a ruptura não foi apenas administrativa, mas financeira, refletindo o desafio de manter o caixa único funcionando com a pressão dos investidores. O impacto foi sentido no futebol e na gestão.
Entre as contratações, Brito conduziu o setor de scout, responsável por mais de R$ 1 bilhão em gastos desde 2022. Ele destaca Igor Jesus como a contratação mais marcante de sua passagem.
Igor Jesus chegou ao Rio com propostas em aberto, confiou no projeto e se tornou peça-chave nas conquistas; também ajudou na valorização econômica do Botafogo e marcou gol contra o PSG. O atleta é lembrado como destaque de sua gestão.
Saída e próximos passos
Brito deixou o Botafogo no fim de maio e assumirá, a partir de julho, o cargo de head scout para América do Sul, Norte e Central no Crystal Palace (Inglaterra). Levará Rodrigo Carvalho, do Vitória, e Fernando Ziskind, do Santos, para acompanhar o trabalho.
Ele ressalta a importância do projeto de base e da estrutura de longo prazo: a ideia de ciclo olímpico de 4 a 8 anos, com a consolidação de departamentos para sustentar a performance. O legado fica na organização estruturada do Botafogo.
O ex-diretor também detalha o que chamava de departamento de informação, reunindo scout, analytics e liaison para integrar captação, desempenho e aspectos administrativos. O objetivo era sustentar decisões com dados para o clube.
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