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Brasil assume papel global no futebol, esporte e ciência

Futebol e ciência mostram centralidade europeia: a maioria dos atletas da seleção atua na Europa, enquanto o Brasil recebe principalmente talentos latino-americanos

André Frazão Helene – Foto: MGromov/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0
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  • A Copa do Mundo é usada para refletir o papel do Brasil no mundo, ligando futebol, sociedade e ciência.
  • Na seleção brasileira, 15 dos 26 jogadores atuam em ligas europeias, com Inglaterra, Itália, França e Espanha concentrando a maioria.
  • A Inglaterra tem um índice de internacionalização de cerca de 7,9, destacando a centralidade da Europa no futebol.
  • A USP mostra padrão similar de internacionalização: cerca de 55% das bolsas vão para a Europa, pouco mais de 30% para os EUA e menos de 2% para a América Latina.
  • Há mais de 880 atletas da Copa atuando em clubes da Europa e dos EUA (mais de 70% do total); no Brasil, pouco mais de 30 estrangeiros na Copa atuam em clubes brasileiros, majoritariamente latino-americanos, com apenas um europeu.

É o futebol! O papel global do Brasil no esporte e na ciência. Este texto analisa o futebol como espelho da sociedade brasileira e o papel do país no cenário internacional, conectando esporte e produção acadêmica.

O papel do Brasil no futebol vai além da competição. A relação entre campo e universidade revela padrões de internacionalização e circulação de talentos que se repetem tanto no esporte quanto na ciência.

Ao observar a Copa, fica claro que a maioria dos jogadores da Seleção atua em ligas europeias, especialmente Inglaterra, Itália, França e Espanha. Em 15 dos 26 atletas, o clube de atuação fica fora do Brasil.

O aumento da presença europeia não é exclusividade brasileira. Na Inglaterra jogam mais de 200 atletas que disputam a Copa; na Alemanha cerca de 100; na França, quase 90. O eixo europeu continua central na distribuição de talentos.

Essa tendência reflete também o movimento acadêmico. Dados da USP mostram que cerca de 55% das bolsas no exterior vão para a Europa, pouco mais de 30% para os EUA e menos de 2% para a América Latina. A centralidade é semelhante em ambos os campos.

A comparação aponta para um padrão comum: buscar recursos, prestígio e tradição em mercados maduros. O futebol migra para clubes europeus; a ciência, para universidades da Europa e dos EUA, procurando excelência reconhecida.

Entretanto, há outra face: quem joga no Brasil vem principalmente de países vizinhos. Entre mais de 30 atletas estrangeiros na Copa que atuam em clubes brasileiros, a maioria é da América Latina, com apenas um europeu destacado (holandês).

Essa dinâmica se repete na pós-graduação: quase 69% de estudantes estrangeiros vêm da América Latina, cerca de 10% da África e 9% da Ásia. O mosaico internacional da universidade espelha o fluxo do futebol.

Em síntese, ciência e futebol revelam uma relação de mão dupla. O Brasil é polo regional para talentos, ao mesmo tempo que integra mercados centrais globais. O mapa não mede apenas onde jogamos, mas para quem marcamos gols.

Internacionalização e caminhos

O fluxo aponta centralidade europeia e norte-americana como destino dominante para atletas e pesquisadores. O país atrai talentos latino-americanos para o circuito nacional e projeta seus talentos para fora, fortalecendo a posição global.

Essa dualidade reforça a necessidade de políticas que ampliem oportunidades locais sem frear a circulação internacional. Reconhecer a centralidade externa não impede o investimento interno nem a formação de talentos locais.

No futebol e na ciência, o desafio é transformar essa mobilidade em ganho estratégico. O Brasil precisa estruturar incentivos que valorizem talentos locais e estimulem parcerias, para reduzir assimetrias sem cercear a livre circulação.

Fonte: dados de estudos sobre internacionalização da USP e tendências de bolsas BEPE Fapesp, com referência ao panorama da Copa do Mundo.

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