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Cabeceios no futebol elevam risco de trauma craniano, sugerem estudos

Cabeceios repetidos no futebol associam-se a alterações na substância branca e a pior desempenho em testes, mas consequências a longo prazo permanecem incertas

Marquinhos, da seleção brasileira (CBF), disputa a bola com um jogador da seleção japonesa durante partida da fase de 32 da Copa do Mundo da FIFA 2026, no NRG Stadium, em Houston, no estado do Texas, Estados Unidos
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  • Cabeceios repetidos, mesmo sem concussão, podem estar ligados a alterações cerebrais, indicam pesquisas.
  • Na Copa do Mundo de 2026, a FIFA aponta que 25 de 215 gols foram marcados de cabeça.
  • Revisão com treze estudos de ressonância magnética mostrou mudanças moderadas a grandes na substância branca associadas a cabeceios; alterações na substância cinzenta são menores e de significado incerto.
  • Estudo apresentado na reunião da Sociedade Radiológica da América do Norte com 352 jogadores amadores mostrou alterações na substância branca próximas aos sulcos e ao lobo frontal, associadas a pior desempenho em testes de aprendizagem verbal.
  • Pesquisas da JAMA Network Open sugerem que a região orbitofrontal pode explicar a ligação entre cabeceios e desempenho verbal, mas não comprovam causalidade nem indicam perda cognitiva; ainda há falta de evidências de longo prazo.

A prática do cabeceio no futebol continua sob escrutínio científico, com foco nos impactos repetidos na cabeça mesmo sem concussão. Relatórios apontam que parte da produção científica investiga alterações no cérebro por meio de exames de imagem, especialmente olhando a substância branca e a cinzenta.

Na Copa do Mundo de 2026, a fase de grupos registrou 25 gols de cabeça em 215, conforme balanço da FIFA. Pesquisas buscam compreender se repetidas batidas na cabeça podem, a longo prazo, estar associadas a mudanças cerebrais ainda sem sintomas clínicos.

Mudanças observadas por exames de imagem

Uma revisão publicada online em maio, na Neuroradiology, analisou 13 estudos de ressonância magnética em jogadores de futebol. Concluiu que cabeceios estão ligados a alterações moderadas a significativas na substância branca, com menor evidência de alterações estruturais e metabólicas.

Entre os achados, regiões próximas aos sulcos cerebrais e o lobo frontal mostraram alterações naqueles que relatam cabeceios com maior frequência. Os pesquisadores destacam que mudanças não equivalem a diagnóstico de doença neurológica.

Estudos da Universidade de Columbia

Em estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte em 2024, pesquisadores da Universidade Columbia analisaram RM de 352 jogadores amadores, homens e mulheres, de 18 a 53 anos, comparando com atletas de esportes sem colisões.

Resultados indicaram alterações na substância branca associadas ao número de cabeceios, ainda que os achados não comprovem causalidade direta com déficits cognitivos.

Correspondências com pesquisas anteriores

Uma publicação de 2025, na JAMA Network Open, descreve a mesma coorte e aponta a região orbitofrontal como área onde a interface entre substâncias branca e cinzenta pode explicar a relação entre cabeceios repetidos e pior desempenho em testes de aprendizagem verbal.

Os autores ressaltam que o estudo não demonstra que cabecear cause perda cognitiva ou doenças neurodegenerativas, mantendo o tom cauteloso diante de resultados observacionais.

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