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Pedras de curling usadas nas Olimpíadas vêm de apenas dois locais

Pedras de curling usadas nas Olimpíadas vêm quase todas de Ailsa Craig, na Escócia, e de Trefor, no País de Gales, com extração restrita por proteção ambiental

Imagem de pedras de curling na pista de gelo.
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  • As pedras de curling pesam cerca de dezoito quilos e são feitas a partir de granito específico, vindas principalmente de duas origens: a ilha de Ailsa Craig, na Escócia, e da pedreira Trefor, no País de Gales.
  • Hoje, quase todas as peças usadas nos Jogos Olímpicos vêm de estoques antigos ou são reaproveitadas, já que a extração em Ailsa Craig ficou restrita para proteger aves marinhas.
  • A produção é quase artesanal, feita pela empresa escocesa Kays of Scotland, com cada pedra esculpida, polida e testada individualmente, gerando um custo de cerca de US$ 600 por peça.
  • O material de Ailsa Craig se formou há cerca de sessenta milhões de anos, em um processo de resfriamento lento que produziu uma rocha extremamente estável e previsível para o deslizamento no gelo.
  • O gelo dos arenas é preparado com gotículas de água para criar textura que facilita o movimento, e a varredura com vassouras durante o lançamento pode alterar a trajetória da pedra.

O curling, esporte olímpico de estratégia e precisão, tem como destaque as pedras de 18 quilos. Em Milão–Cortina 2026, quase todas as peças usadas são de dois locais do mundo, com a ilha de Ailsa Craig, na Escócia, tendo papel central. A extração é restrita por questões ambientais.

As pedras são fruto de um processo quase artesanal, com produção controlada pela empresa escocesa Kays of Scotland. Cada unidade é esculpida, polida e testada, resultando em peças que podem custar mais de US$ 600 por unidade. A vida útil é de décadas quando bem conservadas.

As arenas de curling dependem de um gelo preparado com gotículas de água que criam uma textura irregular na pista. Esse microtopo facilita o deslizamento gradual da pedra, aumentando a previsibilidade do trajeto.

Origem e restrições

Em competição, o granito conhecido como azul de Ailsa Craig forma a base da peça, na zona de contato com o gelo. A lateral, que sofre impactos, utiliza o granito verde comum, mais resistente a choques repetidos.

Ailsa Craig, entretanto, é hoje um santuário de aves marinhas. Desde que as explosões usadas na extração foram proibidas, a reposição de novas rochas tornou-se praticamente inviável. Grandes blocos são hoje coletados de estoques antigos ou reciclados.

Pesquisas buscam alternativas em outros países, mas, até o momento, nenhuma rocha substituta oferece mesma qualidade para o curling. O resultado é um material escasso, com fornecimento limitado a poucos estoques ao redor do mundo.

Segundo o mineralogista Derek Leung, as rochas de Ailsa Craig se formaram há cerca de 60 milhões de anos, em um contexto de formação do Atlântico. A rocha é valorizada pela sua densidade estável e pela textura que reduz o desgaste ao longo do tempo.

Como o jogo funciona na prática

A pedra é lançada rumo à casa, um alvo circular. O objetivo é posicioná-la perto do centro, com cada rodada gerando pontos para quem fica mais perto do centro do que o adversário. As equipes alternam lançamentos para manter a posição desejada.

Após o arremesso, o controle do resultado depende da varredura de gelo com vassouras. A remoção de calor da superfície pode alterar a trajetória, aumentando o alcance da pedra ou desviando-a sutilmente.

O curling se consolidou na Escócia no século XVI, como prática de cavalheiros em lagos congelados. Desde 1924, o esporte integrou os Jogos Olímpicos de Inverno, mantendo, ao longo das décadas, padrões técnicos que privilegiam materiais padronizados.

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