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Maratona abaixo de 2h: como atletas romperam a barreira histórica

Recorde mundial da maratona é impulsionado por tênis com carbono, nutrição em tempo real e treino de alta intensidade, com Sawe e Kejelcha abaixo de duas horas

O queniano Sabastian Sawe quebrou o recorde mundial ao vencer a Maratona de Londres (Foto: JUSTIN TALLIS / AFP)
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  • Sebastian Sawe e Yomif Kejelcha fizeram a maratona abaixo de duas horas, rompendo o recorde mundial anterior de 2h00min35s, em Londres, com os três primeiros tempos acima do antigo recorde.
  • A performance foi tratada como mudança de regime, com integração entre fisiologia, nutrição e instrumentação, e monitoramento de treinos em tempo real.
  • O acompanhamento nutricional inclui ingestão de 90 a 120 gramas de carboidrato por hora; Sawe manteve média de 115 g/h e acelerou na segunda metade, fechando em 59min01s.
  • O calçado com placa de carbono, Adidas Adizero Adios Pro Evo 3, pesando menos de cem gramas, é apontado como um diferencial, contribuindo para redução de custo metabólico em cerca de quatro por cento.
  • Fatores como altitude de treinamento no Quênia (2.200 a 2.400 metros), clima e uma rede de competição de alto nível também são citados como sustentação do desempenho, aliado a volumes de treino intensos e monitorados.

O que aconteceu

Na maratona de Londres, realizada em 26 de abril, Sabastian Sawe venceu subindo o recorde mundial abaixo de 2 horas. O etíope Yomif Kejelcha terminou em segundo, também abaixo de 2h. Os três primeiros colocados superaram o tempo anterior de 2h00m35s. O feito é apresentado como indicativo de uma nova era na modalidade.

A história é analisada como resultado de um salto operacional, com integração entre fisiologia, nutrição e instrumentação. Sawe manteve intensidade próxima do limiar fisiológico por toda a prova, sustentando desempenho sem depender de um corpo inovador. O segredo, dizem especialistas, está no sistema de monitoramento em tempo real.

Apoio científico e controle de treinamento

A ciência entrou para monitorar treinos com precisão. A fabricante Maurten acompanhou Sawe no Quênia por 32 dias, ao longo de 12 meses, avaliando consumo de energia. Foram testes com carbono-13, água marcada, VO₂ máximo, lactato, entre outros. O treino tornou-se um sistema mensurável, com reagentes na ordem de 240 km semanais em pico.

Nutrição durante a prova e o fluxo de energia

A reposição de energia durante a maratona ganhou papel central. Ingestões de 90 a 120 g de carboidrato por hora passaram a sustentar a velocidade sem depender de reservas finitas de glicogênio. Sawe consumiu, em média, 115 g por hora, elevado em relação a padrões anteriores, o que favoreceu uma segunda metade rápida.

Geografia, genética e cultura

O Quênia, local de treino de Sawe, é visto como fator de sucesso histórico na distância. Altitude entre 2.200 m e 2.400 m, clima estável e tradição de deslocamentos rápidos entre áreas habitadas ajudam na formação de atletas de longa distância. Técnicos destacam ainda o papel de comunidades locais e de um sistema de treinamento estruturado.

Treinamento, biomecânica e rendimento

Especialistas apontam que a evolução da biomecânica e da economia de corrida reduz o gasto energético. O desempenho depende de vo2 máximo, limiar anaeróbio e economia de corrida, além de tecnologia e qualidade de treino. A prática atual valoriza alta intensidade e monitoramento diário, com volumes elevados, porém bem organizados.

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