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Treinos com raiva: o melhor modo de exercitar-se ou apenas irritante?

Aulas de rage workouts ganham destaque, mas estudo aponta que ventilar a raiva fisicamente aumenta a agressividade, não a alivia

‘Guttural and loud and emotional’ ... Photograph: Simarik/Getty Images (posed by a model)
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  • Em Knoxville, Tennessee, existe uma aula de treino HIIT de “rage” onde participantes desfazem frustrações em cordas, punching bags e pneus de tractor.
  • Em Newcastle, Inglaterra, há uma aula de raiva feminina, com gritos de raiva enquanto se golpeia e se faz ataques de lunges; uma frequentadora descreveu o grito como necessário.
  • A ideia é ventilar a raiva por meio de atividades físicas, mas evidências sobre a “catárse” são contestadas.
  • Em 2002, Brad Bushman mostrou que ventilar a raiva fisicamente pode aumentar a irritação e ensinar comportamento agressivo.
  • Existem também “rage rooms” onde é possível destruir objetos por uma taxa, mas nem sempre são práticos ou acessíveis; a ideia de que isso funciona como cura é questionada.

O movimento chamado rage workouts ganha espaço em academias, com atividades que incluem pneus de trator sendo golpeados com marretas. A proposta é ventilar a irritação antes ou durante o treino e associar explosões de força a uma liberação emocional.

Entretanto, especialistas alertam que esse tipo de prática não costuma aliviar a raiva. Pesquisas mostraram que ventilar a emoção fisicamente pode aumentar o ânimo agressivo, em vez de reduzi-lo. O consenso científico aponta que o comportamento pode reforçar padrões de agressividade.

Em Knoxville, nos Estados Unidos, surgiram aulas de HIIT em que participantes atacam tiras, sacos de pancadas e pneus. Já em Newcastle, Reino Unido, há uma aula voltada a expressões de raiva feminina, com gritos e movimentos de socos e lutas.

Efeitos e pesquisas

Brad Bushman, da Iowa State University, publicou em 2002 um estudo sobre catharsis. O resultado indica que ventilar a raiva costuma manter ou aumentar o estado de irritação, não reduzir. O estudo também sugeriu que bater em objetos inanimados não ensina a controlar a agressividade.

Segundo a pesquisa, o grupo que apenas permaneceu parado por dois minutos apresentou menor raiva após o teste. A conclusão é que a prática não substitui estratégias de controle emocional. Traduções de pesquisas indicam que o silêncio pode ter efeito calmante.

Desdobramentos práticos

Especialistas ressaltam que o ambiente de treino deve considerar segurança, higiene e supervisão adequada. Em clubs com rage workouts, a organização exige instrução, uso de EPIs e protocolos de descarte de resíduos. A prática é debatida entre profissionais de educação física e psicologia comportamental.

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