- Estudo brasileiro, publicado na Scientific Reports, comparou natação e corrida em ratos por oito semanas, com sessões diárias de sessenta minutos, cinco vezes por semana, em cerca de noventa e cinco por cento do VO₂máx.
- Ambos os treinos melhoraram a aptidão cardiorrespiratória e a resistência; o VO₂máx aumentou nos grupos treinados e os sedentários tiveram queda ao longo do tempo.
- Apenas a natação provocou aumento significativo da massa cardíaca e do ventrículo esquerdo, com hipertrofia fisiológica e mudanças nas fibras musculares cardíacas.
- Na prática, a natação também elevou a força contrátil e a velocidade de contração e relaxamento do miocárdio, resultado mais expressivo que o observado com corrida.
- Mecanisticamente, ambos os exercícios aumentaram a expressão de genes da via PI3K/AKT, mas a natação mostrou alterações mais robustas e modulou mais microRNAs relacionados ao crescimento celular, remodelamento cardíaco e resposta ao estresse.
O estudo brasileiro, publicado na Scientific Reports da Nature, comparou natação e corrida em ratos machos, avaliando efeitos no coração após oito semanas de treino. Sedentários, corredores e nadadores tiveram carga similar, com 60 minutos diários, cinco dias/semana, a 75% do VO2max.
Ambas as modalidades elevaram o VO2max e a resistência física, e aumentaram a atividade da enzimacitratos, indicando manutenção metabólica. Contudo, apenas a natação gerou hipertrofia fisiológica do coração, com massa cardíaca e ventrículo esquerdo maiores.
No grupo nadador, houve aumento do diâmetro das fibras e do volume nuclear dos cardiomiócitos, enquanto o grupo de corrida manteve parâmetros próximos aos sedentários. Ecocardiografia mostrou função sistólica e diastólica preservadas em todos.
Desempenho do músculo papilar mostrou maior força contrátil na natação, com melhora mais expressiva na velocidade de contração e relaxamento do miocárdio. A corrida apresentou ganho mais modesto em alguns indicadores.
As diferenças podem estar ligadas à carga hemodinâmica e ao recrutamento muscular na água, que envolve maior participação de grupos musculares e pressão hidrostática. As vias moleculares associadas ao crescimento cardíaco também foram mais moduladas pela natação.
A via PI3K/AKT ganhou expressão em ambos os grupos, mas com maior atuação na natação, especialmente no eixo de crescimento celular e síntese proteica. MicroRNAs associados ao remodelamento cardíaco também mostraram alterações mais marcantes no nadador.
O estudo alerta que, embora a natação tenha mostrado benefícios superiores no coração de ratos, isso não se aplica diretamente a humanos nem implica exclusão da corrida. Os autores ressaltam que ambas atividades melhoram a aptidão cardiorrespiratória.
Fatores práticos também aparecem: a natação envolve acesso à piscina, logística e tempo, o que pode dificultar adesão. Ainda assim, quem pratica com regularidade pode obter ganhos significativos para o condicionamento cardiovascular.
Para especialistas, o principal ensinamento é que a prática regular de exercícios continua essencial. Entre as modalidades, a escolha deve considerar preferências e condições de saúde, mantendo a periodicidade e intensidade adequadas.
Pesquisas futuras devem avaliar se os efeitos observados em ratos ocorrem de modo similar em seres humanos. O objetivo é avançar na compreensão dos mecanismos que conectam exercício físico a remodelação cardíaca.
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