- Estudo com 873.334 participações na Maratona de Berlim (1999–2025) indica que homens têm o dobro de probabilidade de “quebrar” do que mulheres, definido como queda de pelo menos 20% no ritmo da segunda metade da prova.
- Em média, homens terminaram mais rápidos (4 horas e 2 minutos) que mulheres (4 horas e 29 minutos), mas 17,6% dos homens apresentaram quebra intensa contra 9,7% das mulheres.
- Entre quem terminou em menos de três horas, 1,42% dos homens quebraram, frente a 0,23% das mulheres — cerca de seis vezes mais provável entre homens.
- Explicações discutidas incluem armazenamento de glicogênio: mulheres podem preservar carboidratos e usar mais gordura, influenciadas possivelmente pelo estradiol e por fibras musculares mais resistentes à fadiga; homens, por outro lado, podem adotar estratégias de ritmo mais arriscadas.
- Os autores sugerem estratégias como o negative split para reduzir o risco, e destacam limitações do estudo, como avaliar apenas uma maratona e considerar apenas corredores que cruzaram a linha de chegada.
Dois em cada dez homens quebraram durante a Maratona de Berlim, segundo o maior estudo já feito sobre o tema. A pesquisa avaliou 873.334 participações entre 1999 e 2025, com base nos chips da prova. O objetivo foi entender por que homens perdem ritmo mais cedo que mulheres.
A análise definiu quebra como queda de pelo menos 20% no ritmo na segunda metade da prova. O plano, o metabolismo e a estratégia de corrida foram considerados para explicar o desequilíbrio entre os sexos.
Ainda que os homens tenham concluído a maratona mais rápido em média (4h02) do que as mulheres (4h29), a desaceleração foi mais comum entre eles: 17,6% contra 9,7%. Entre os atletas de elite, apenas 0,23% das mulheres quebraram, ante 1,42% dos homens.
Diferença entre homens e mulheres
Entre corredores com tempo inferior a 3 horas, 0,23% das mulheres quebraram, enquanto 1,42% dos homens apresentaram queda de ritmo. Os autores destacam que a diferença persiste mesmo entre os melhores, destacando que não é apenas um fator de experiência.
Os pesquisadores apontam que a estratégia pode influenciar esse resultado. A variação de ritmo ao longo da prova foi maior entre homens, com quedas mais acentuadas a partir dos 25 km. Já as mulheres apresentaram desaceleração mais cedo, porém mais gradual.
Mais da metade das mulheres manteve ritmo estável durante a maior parte da prova, versus pouco mais de um terço dos homens. Nos 5 km finais, homens ficaram, em média, 18% mais lentos, contra 13% para as mulheres.
O que explica a diferença
O glicogênio, reserva de carboidratos, é apontado como fator central. Durante a maratona, músculos consomem esse combustível e, após o esgotamento, o corpo recorre à gordura, um processo mais lento.
Autores sugerem que mulheres preservam glicogênio por mais tempo, usando mais gordura em exercícios prolongados e poupando carboidratos para os últimos quilômetros. Hormônios, como o estradiol, e fibras musculares podem contribuir para essa diferença.
Outro viés considerado é o comportamento: homens podem adotar estratégias mais arriscadas, correndo acima do ritmo que sustentam até o fim. O estudo observa padrão menos estável entre homens, o que pode explicar parte da diferença.
Os autores promovem a ideia de que estratégias como o negative split — começar mais devagar e acelerar na segunda metade — podem reduzir o risco entre homens. Pesquisas futuras devem combinar dados fisiológicos e psicológicos para detalhar as causas.
Limitações
O estudo avaliou apenas uma maratona, ainda que em 27 edições, e apenas atletas que cruzaram a linha de chegada foram incluídos. Quem abandonou ficou de fora, o que sugere que a real frequência de quebras é maior.
Não houve mensuração direta de glicogênio, hormônios ou características psicológicas. Logo, as explicações apresentadas permanecem hipóteses a serem testadas em pesquisas futuras.
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