Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revelou índices alarmantes de saúde mental entre seus estudantes, com médias inferiores às de levantamentos internacionais. O estudo, conduzido por Pedro Ambra, foi apresentado no Simpósio Internacional “Saúde Mental de Estudantes Universitários” e destacou o impacto de fatores sociais e emergências climáticas.
Os dados mostram que 78% dos alunos estão muito preocupados com as emergências climáticas, e quase 90% acreditam que esses fenômenos podem ameaçar a vida humana na Terra. Além disso, o uso excessivo da internet foi identificado como um problema, com cerca de 70% dos estudantes admitindo dificuldade em reduzir o tempo online, o que afeta sua saúde mental.
A pesquisa, que coletou 459 respostas, também analisou como marcadores sociais, como raça e renda, influenciam a experiência acadêmica. A média de saúde mental dos alunos da USP foi de 47, comparada à média de 65 em estudos internacionais. Ambra sugere que a discrepância pode estar relacionada ao ambiente de origem dos estudantes, especialmente os negros, que podem enfrentar preconceitos ao ingressar em um espaço universitário mais diverso.
O simpósio contou com a presença de especialistas, incluindo Chris Brownson, da Universidade do Texas, que destacou a crescente demanda por serviços de saúde mental nas universidades. Ele alertou que, globalmente, a necessidade de apoio psicológico supera a oferta de profissionais qualificados.
A pesquisa visa embasar políticas de inclusão e suporte nas universidades, como o programa ECOS da USP, que busca promover o bem-estar dos estudantes. A análise dos dados reforça a necessidade de ações que abordem os desafios enfrentados por essa população, visando melhorar a saúde mental e o desempenho acadêmico.
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