O Fluminense apresentou em 2025 um passivo total de 1,042 bilhão de reais, apoiado principalmente por tributos parcelados, dívidas com jogadores e acordos judiciais. O clube planeja alongamento de prazos e renegociações para ampliar a previsibilidade de pagamentos.
O relatório aponta que a dívida não se explica apenas por novas operações de mercado. Parte relevante decorre da correção pela taxa Selic e de valores que não estavam contabilizados em gestões anteriores. Sem pagamentos realizados, o passivo estaria próximo de 1,49 bilhão.
O clube destaca que adotou mecanismos de reorganização, como o Regime Centralizado de Execuções, criado em 2022, para suspender bloqueios judiciais e melhorar a previsibilidade financeira. Um acordo com a PGFN gerou desconto de cerca de 90 milhões e prazos alongados.
Leilões no Tribunal Regional do Trabalho contribuíram com mais de 10 milhões, reduzindo dívidas trabalhistas em cerca de 30%. A maior parte do endividamento continua relacionada a tributos e aos pagamentos a jogadores.
Situação financeira
Ao separar a dívida vinculada ao futebol, o passivo cai para cerca de 812 milhões. Parte dessas obrigações está ligada à aquisição de atletas, classificados como ativos com potencial de valorização e geração de receita futura.
Entre 2024 e 2025, o Fluminense investiu aproximadamente 59 milhões de euros (em torno de 320 milhões de reais) na compra de atletas. Esses negócios costumam ocorrer de forma parcelada, impactando o passivo total.
O balanço mostra melhoria em indicadores estruturais, com o passivo a descoberto reduzido de negativo próximo a 400 milhões em 2019 para cerca de 185 milhões em 2025. Ainda assim, a auditoria aponta itens de atenção.
Entre eles, houve subavaliação de contingências estimada em 34,1 milhões, ajuste não reconhecido de FFU de 110,4 milhões e capital circulante negativo de 309 milhões. Contas do PROFUT permanecem sem homologação.
A auditoria também sinaliza incerteza relevante quanto à continuidade operacional, condicionada à efetivação das medidas de reequilíbrio financeiro.
Em síntese, o Fluminense mantém dívida elevada, mas adota renegociações formais e amplia ativos ligados ao futebol. O objetivo é alinhavar a dívida com o crescimento de receitas e da capacidade competitiva do clube.
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