O endividamento líquido dos clubes brasileiros alcançou 14,3 bilhões de reais em 2025, aumento de 46% em cinco anos. A informação é de uma análise da EY com base nas demonstrações financeiras das agremiações.
Entre 2022 e 2023 houve queda de 3% nessa métrica, mas, nos anos seguintes, os débitos voltaram a subir, inclusive acima do ritmo registrado de 2021 para 2022 (12%). O desempenho acompanha um contexto econômico desafiador para o setor.
Endividamento e concentração de receitas
Os quatro clubes com maior dívida mantêm posições elevadas: Atlético-MG (2,28 bilhões), Botafogo (2 bilhões) e Corinthians (1,53 bilhão) aparecem entre os mais endividados. Mesmo com receitas crescentes, a liquidez segue sob pressão em parte do grupo.
A EY aponta que o empréstimo bancário costuma ser uma fonte cara de financiamento, com prazos curtos e juros elevados, ampliando o desafio de manter a geração de caixa para honrar compromissos. A SAF é citada como caminho, mas sem garantia de sucesso.
Bahia, grupo City, reduziu de 821 milhões para 168 milhões de reais a dívida entre 2024 e 2025, após reclassificação contábil. Parte dos passivos foi transferida para Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC).
Estruturas de capital e impactos da SAF
A mudança de classificação permitiu que parte do passivo seja considerado como capital próprio, reduzindo o endividamento divulgado. A EY destaca que a dívida remanescente envolve custos operacionais de futebol, como direitos federativos e luvas.
Os dados de receitas mostram alta ofensiva: o total de receitas dos clubes foi de 14,9 bilhões, incremento de 73% frente a 2021 e 33% em relação a 2024. Quase metade dessas receitas concentra-se em cinco clubes da Série A em 2025.
Entre as transferências, o total chegou a 3,9 bilhões. Botafogo lidera as vendas com 746 milhões, enquanto Palmeiras e Flamengo ampliaram ganhos com negociações. O impacto dessas negociações é observado na estrutura de receitas por direitos de transmissão e premiações.
Entre na conversa da comunidade