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Pai do futebol brasileiro tinha raízes escocesas

Charles Miller, considerado pai do futebol brasileiro, trouxe o esporte ao Brasil em 1894 e ajudou a criar ligas, clubes e a origem do Corinthians

São Paulo Athletic Club football team, 1904. Charles Miller is pictured in the centre of the front row, holding the ball.
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Charles Miller é reconhecido como o “pai do futebol brasileiro” por ter introduzido o esporte no Brasil em 1894, chegando a São Paulo com regras oficiais e dois balões. Sua chegada marcou o início da prática organizada no país.

O relato sobre Miller mistura memória e lenda. Filho de John Miller, originário da vila de Fairlie, na Escócia, Charles estudou na Inglaterra e se reuniu com clubes ingleses antes de retornar ao Brasil.

Ao chegar ao Brasil, Miller trouxe não apenas o futebol, mas também o conjunto de regras da Hampshire Football Association. Diz a tradição que ele entregou o diploma de formatura no futebol ao desembarcar.

Em 14 de abril de 1895, ele organizou a primeira partida oficial no Brasil, entre equipes da São Paulo Railway e da São Paulo Gas Company, no campo improvisado de Várzea do Carmo, em Brás, São Paulo. O time de Miller venceu por 4-2, marcando dois gols.

Além desse jogo, Miller fundou o departamento de futebol no SPAC, contribuindo para a formação de clubes e da liga organizada que surgiria. Em 1901 ele ajudou a criar a Liga Paulista de Football, com cinco clubes fundadores.

Legado e afetos do futebol paulista

Miller influenciou a formação do Sport Club Corinthians Paulista, ao sugerir o nome inspirado na visita de Corinthian FC a São Paulo em 1910, após a qual alguns trabalhadores formaram um clube próprio. Miller jogou e atuou como goleiro.

No âmbito esportivo, ele participou de seleções estaduais, atuou como árbitro e permaneceu envolvido no futebol de São Paulo até a casa dos 50 anos. Com o tempo, a profissionalização o afastou das atividades.

Na vida pessoal, Miller casou-se com a pianista Antonietta Rudge e teve dois filhos. Morreu em São Paulo em 30 de junho de 1953, aos 78 anos, e foi sepultado no cemitério protestante da cidade.

O impacto de Miller vai além dos clubes. A prática cultural do futebol no Brasil ganhou raízes profundas, com o país se tornando referência mundial. O vocabulário técnico também o imortalizou, com o termo chaleira derivado do nome Charles.

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