Em Virunga National Park, na região leste da República Democrática do Congo, seis guardas florestais foram mortos em uma emboscada neste domingo, segundo a gestão do parque e o Instituto Congolês de Conservação da Natureza (ICCN). O ataque ocorreu enquanto os guardas faziam ronda no setor central, próximo a uma cerca elétrica recém-instalada para reduzir invasões ao território protegido.
A agressão também deixou um sétimo guarda ferido, Faustin Niyonzima, que foi transferido de helicóptero para um hospital na cidade de Goma. Os guardas tinham entre 27 e 30 anos. O ICCN informou que o ataque foi promovido por combatentes Mai-Mai, um conjunto de milícias locais ativas na região.
Segundo o ICCN, o episódio soma-se a décadas de conflito entre as forças do órgão e milícias armadas que operam ao redor de Virunga. Em 2020, havia ocorrido o pior ataque já registrado, com a morte de 12 guardas e cinco civis. A cidade de Goma fica a poucos quilômetros de distância do parque, na fronteira com Uganda.
Especialistas apontam que tensões de terras ajudam a alimentar os confrontos entre a população rural, que vive da agricultura, e o ICCN, que administra áreas protegidas desde a criação do parque em 1925. Análises associam o uso de áreas do parque para atividades como caça e extração de madeira a disputas históricas de acesso a recursos naturais.
O ataque permanece sem responsabilidade atribuída a um grupo específico até o momento, e os motivos ainda não estão claros. Virunga, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, abriga uma das mais ricas biodiversidades do continente, incluindo gorilas-da-montanha e chimpanzés, além de centenas de espécies de mamíferos.
A gestão do parque reiterou luto pela perda de vidas e ressaltou que os guardas atuam para proteger tanto o parque quanto as comunidades vizinhas, diante de ameaças de grupos armados. Em nota, a instituição destacou que a dedicação dos guardas não será esquecida.
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