Um rápido avistamento de uma baleia-cabocuda do Atlântico Norte, extremamente ameaçada, ocorreu próximo à costa da Irlanda. A fêmea isolada foi fotografada a cerca de 5 mil quilômetros de seu habitat habitual, no oeste do Atlântico Norte. É o primeiro registro confirmado na região em décadas.
Estimativas apontam que existem aproximadamente 360 baleias-cabocudas no Atlântico Norte hoje. Elas costumam migrar entre áreas de reprodução, no litoral da Flórida, e áreas de alimentação em New England e Canadá. Historicamente, a Europa também fazia parte de seu alcance natural.
Pesquisadores destacam que a presença na Irlanda pode refletir o histórico geográfico da espécie ou ser o caso de um indivíduo deslocado por fatores de estresse populacional. A situação ocorre em meio a mudanças climáticas no oeste do Atlântico, uma das zonas oceânicas de maior aquecimento do mundo.
Aquecimento das águas e a disponibilidade de alimento são fatores que pressionam as baleias. As populações sofrem com a redução de copeópods, alimento principal, em águas de New England. Em contraste, o Golfo de Saint-Laurent, no Canadá, apresenta condições relativamente mais favoráveis.
A migração das baleias tem ganhado distância, chegando a levar cerca de 50% mais tempo para percorrer de Florida até o Canadá, segundo especialistas. Regulamentações de proteção em Canadá foram fortalecidas após mortes ligadas a colisões com embarcações e emaranhamentos.
Para a Irlanda, o registro eleva incertezas sobre rotas futuras e mostra a necessidade de monitoramento contínuo. O órgão local de observação de baleias confirmou a aparição e ressaltou que o cenário poderia representar um aumento temporário de segurança relativa nas águas irlandesas.
Especialistas ressaltam que a situação requer vigilância contínua, com dados que possam indicar mudanças de distribuição. Em regiões onde o risco de colisões e emaranhamentos é menor, a proteção das baleias pode ser mais efetiva, mas depende de políticas locais bem fundamentadas.
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