Refugiados Rohingyas Enfrentam Crise Aprofundada em Bangladesh
A situação dos refugiados rohingyas em Bangladesh se agrava, com aumento da violência nos campos e escassez de recursos. Desde a fuga em massa de Myanmar, em 2017, cerca de 1,2 milhão de rohingyas vive em condições precárias, especialmente no acampamento de Kutupalong, que abriga mais de 735 mil pessoas.
Recentemente, a falta de ajuda internacional e o aumento da violência têm impactado diretamente a alimentação e a educação das crianças. Organizações como a Unicef relatam que a desnutrição entre os refugiados aumentou, afetando 15,1% da população, com a desnutrição grave quase triplicando. A escassez de alimentos é alarmante, com rations mensais de apenas 12 dólares por pessoa.
A educação das crianças também está em risco. Após a reabertura das escolas, apenas 35 mil alunos do ensino secundário puderam retornar às aulas, enquanto a maioria das crianças menores de 12 anos permanece sem acesso à educação. Surat Kamat, um refugiado, destaca que a educação é vital para o futuro de seus filhos, que sonham em se tornar profissionais.
Além disso, a violência armada nos campos tem aumentado, com relatos de recrutamento forçado de crianças por grupos armados. Entre janeiro e agosto de 2025, foram documentados 670 incidentes envolvendo 2.089 crianças. A insegurança e o medo permeiam o cotidiano dos refugiados, que enfrentam não apenas a luta pela sobrevivência, mas também a ameaça constante de violência.
Os cortes na ajuda internacional, especialmente por parte de países como Estados Unidos e Reino Unido, têm exacerbado a crise. Em 2023, o plano de resposta à crise rohinyá solicitou 934,5 milhões de dólares, mas apenas um terço desse valor foi arrecadado até agora. A falta de recursos compromete a assistência básica, incluindo alimentação e serviços de saúde.
Com a situação se deteriorando, muitos refugiados buscam alternativas para escapar dos campos, enfrentando riscos de exploração e tráfico de pessoas. A comunidade rohingya continua a viver em um limbo, sem perspectivas claras de retorno a Myanmar, onde a violência e a opressão ainda persistem.
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