A hambruna foi oficialmente declarada em Gaza, onde mais de 313 pessoas morreram por inanição desde o início do conflito em outubro de 2023. A situação se agrava com a destruição de 70% das infraestruturas e a UNRWA, a Agência da ONU para Refugiados Palestinos, enfrentando uma grave crise de financiamento e acesso à ajuda humanitária.
O comissionado geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, destacou que a agência perdeu um terço de seu financiamento e que 90% de suas instalações foram danificadas. Ele alertou que a falta de alimentos está se espalhando por toda a Faixa de Gaza, com o número de crianças desnutridas aumentando drasticamente. A proibição de entrada de alimentos desde março de 2024, após a ruptura da trégua com o Hamas, intensificou a crise.
Crise Humanitária
A UNRWA possui 6.000 caminhões com suprimentos prontos para entrar em Gaza, mas a ajuda não chega devido a restrições. Lazzarini afirmou que a distribuição de alimentos é caótica, com muitos sendo saqueados por pessoas desesperadas. A inatividade da comunidade internacional é alarmante, com promessas não cumpridas de assistência.
Além disso, a violência em Cisjordânia também atinge níveis alarmantes, mas a atenção global permanece focada em Gaza. A campanha de desinformação contra a UNRWA, iniciada por Israel, resultou na suspensão de doações de 16 países, prejudicando ainda mais a capacidade da agência de operar.
Futuro Incerto
Lazzarini advertiu que Gaza está se tornando um “cemitério do direito internacional humanitário”. A impunidade prevalece, e a situação atual pode se tornar um modelo para futuros conflitos. A reconstrução de Gaza é incerta, e a possibilidade de uma nova Nakba, ou deslocamento em massa, é uma preocupação crescente.
A solução de dois Estados é vista como a única saída viável, mas a realidade atual levanta sérias dúvidas sobre o futuro da região e a sobrevivência da UNRWA. A situação em Gaza exige uma resposta urgente e eficaz da comunidade internacional para evitar uma catástrofe humanitária ainda maior.
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