Durante o festival Artes Vertentes, em Tiradentes, o poeta haitiano Jean d’Amerique apresenta suas obras pela primeira vez no Brasil, trazendo à tona a realidade caótica do Haiti. O evento, que ocorre até este domingo (21), reúne diversas manifestações artísticas, como música, literatura, teatro e cinema.
A cidade mineira, com cerca de 7.000 habitantes, contrasta com Porto Príncipe, onde mais de 2,5 milhões vivem sob o domínio de gangues que controlam mais de 80% da capital haitiana, segundo a ONU. D’Amerique, que lançou novos livros durante o festival, utiliza sua arte para conectar essas duas realidades. Suas obras, como “Ópera Poeira” e “A Catedral dos Porcos”, abordam a turbulência política e social do Haiti, especialmente após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021.
Em “Ópera Poeira”, D’Amerique narra a história de Sanite Bélair, uma heroína revolucionária haitiana fuzilada em 1802. A leitura cênica da obra, realizada no sábado (13), contou com a interpretação da cantora e atriz Juçara Marçal. No último dia do festival, será apresentada “A Catedral dos Porcos”, com atuação de Artur Rogério.
O poeta, que se mudou para a França em 2019, continua a acompanhar a situação no Haiti. Em entrevista, D’Amerique expressou sua preocupação: “Não consigo, por ora, ver um futuro para o meu país. A violência está chegando ao topo”. Ele destacou que, apenas nos primeiros seis meses de 2023, quase 350 pessoas foram sequestradas no Haiti.
D’Amerique, que começou sua trajetória na literatura inspirado pelo hip-hop, também se apresentará ao lado do DJ francês Foltz durante o festival. Após o evento em Tiradentes, ele seguirá para um giro pelo Sudeste, com lançamentos programados em Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro.
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