O Irã lançou nesta quinta-feira (3) um novo ataque contra alvos militares americanos no Kuwait, desafiando as ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Exército kuwaitiano informou que interceptou mísseis e drones disparados do território iraniano, depois que Teerã anunciou uma ofensiva contra a base aérea de Ahmad al-Jaber.
O governo do Kuwait classificou a ação como uma ameaça direta à segurança e à estabilidade do país e a definiu como uma grave violação das normas do direito internacional.
O Irã também havia anunciado um ataque contra a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos. O país, no entanto, não relatou ter sofrido qualquer ofensiva do tipo.
Na quarta-feira, o Irã havia prometido retaliar ataques dos Estados Unidos de terça-feira que deixaram 19 mortos, incluindo sete militares, segundo Teerã. Quatro das pessoas que morreram participavam de uma cerimônia de casamento, que foi atingida durante os ataques e ainda teve quase 70 feridos, de acordo com a imprensa estatal iraniana.
“Ontem à noite destruímos muito mais do que o radar deles. Foi um ataque muito contundente, e estamos preparados para lançar outro a qualquer momento que quisermos”, advertiu Trump na quarta-feira.
As hostilidades entre os dois países foram retomadas no domingo (30), com um ataque dos Estados Unidos, o que acabou com um mês de trégua.
Petróleo sobe com escalada do conflito
Os mercados de petróleo voltaram a reagir à tensão no Oriente Médio e passaram a operar em alta.
Pouco depois das 11h GMT (8h em Brasília), o barril de Brent para entrega em novembro subia 1,5%, cotado a 97,09 dólares. O WTI para entrega em outubro avançava 1,8%, a 92,60 dólares.
Teerã promete “nova estratégia”
O governo iraniano afirmou na quarta-feira (2) que passará a adotar uma nova estratégia.
“Em breve vocês verão que a nova estratégia do Irã no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento do bloqueio econômico fará seus alicerces em pedaços“, publicou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, no X.
Presidente do Irã diz que continuar guerra com EUA não traz vantagens
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chamou os Estados Unidos de “Satã” após o ataque à cerimônia de casamento. Já o porta-voz da diplomacia do Irã, Esmaeil Baqaei, lamentou o bombardeio ao evento e classificou os ataques como crime de guerra.
O comandante da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, prometeu retaliação. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, ele disse que “o sangue puro destes mártires (…) não ficará impune e, sem dúvida, será vingado“.
Sem mencionar diretamente o ataque ao casamento, o comando americano para o Oriente Médio afirmou que “o Exército dos Estados Unidos nunca ataca civis, ao contrário da Guarda Revolucionária”.
Estreito de Ormuz segue bloqueado
Desde o início do confronto, o Irã mantém bloqueado o Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações mundiais de petróleo e de gás natural liquefeito antes da guerra. A atividade comercial na região opera em níveis mínimos, com exceções pontuais.
Trump chegou a propor rebatizar a via de “Estreito de Trump” na quarta-feira, mas depois indicou que não falava sério, ao ser questionado pela AFP sobre o tema.
Trump propõe mudar nome do Estreito de Ormuz para “Estreito de Trump”
No mesmo dia, a Guarda Revolucionária iraniana informou que dois petroleiros pegaram fogo após colidirem com minas no Golfo, quando navegavam fora da rota designada pelas autoridades do país.
Como parte da estratégia de pressão econômica sobre a República Islâmica, Washington impôs bloqueio aos portos iranianos e anunciou recentemente uma nova rodada de sanções secundárias contra parceiros comerciais de Teerã.
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