O Harvest Christian Fellowship enfrenta uma série de ações judiciais nos Estados Unidos, movidas por dois homens romenos que dizem ter sido vítimas de abuso sexual durante crianças em orfanatos na Romênia. Os processos, apresentados nesta semana na Justiça Federal da Califórnia, responsabilizam a igreja, seus líderes e ex-pastores por negligência e omissão. Estão entre os réus o evangelista Greg Laurie, ligado ao Calvary Chapel, além de Richard Schutte e Paul Havsgaard, que atuavam na missão internacional apoiada pela igreja.
Conforme as ações, a Harvest financiou os orfanatos na Romênia sem supervisionar adequadamente as atividades, e sem reportar abusos às autoridades. Os demandantes, Marian Barbu e Mihai-Constantin Petcu, pedem indenizações e afirmam que a igreja teria tido conhecimento de denúncias contra Havsgaard antes de ele ir para a Romênia em 1998 e de que, em 2004, foi informada sobre “histórias horríveis” nos abrigos, mas não tomou providências. O advogado Jan Cervenka, da McAllister Olivarius, sustenta que a Harvest não atuou para proteger as crianças.
A defesa, por sua vez, contesta parcialmente as acusações, reconhecendo que houve apoio financeiro aos orfanatos, mas negando responsabilidade de supervisão sobre a operação na Europa Oriental. Segundo os processos, Havsgaard criou a organização sem fins lucrativos Actively Restoring Kids International, que administrava os orfanatos de forma independente da Harvest. A igreja afirma não ter controle direto sobre a gestão dos programas no exterior.
A firma de advocacia informou que pretende apresentar cerca de 20 ações adicionais em semanas futuras, ampliando o recorte de vítimas envolvidas. Até o momento, nem a Harvest nem os demais réus apresentaram defesa ou indicaram representantes legais. Havsgaard, Schutte e a Harvest não puderam ser contatados para comentar.
A Harvest reconheceu o financiamento aos orfanatos, mas negou amplo papel de supervisão da operação na Romênia. As ações indicam que potenciais violências teriam ocorrido em instalações administradas pela rede apoiada pela igreja, conforme descrito nos autos. A instituição tem 21 dias para apresentar resposta formal à Justiça, conforme a tramitação processual.
Este é um caso em desenvolvimento, com novas informações a serem apuradas pela Justiça e pelos investigadores. A matéria não traz, neste momento, conclusão nem opinião sobre a responsabilidade final das partes envolvidas.
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