Relatórios recentes indicam que o contrabando de combustível na Líbia, sancionado pelo estado, causou uma perda de cerca de 20 bilhões de dólares entre 2022 e 2024. A pesquisa, realizada pelo grupo de investigação The Sentry, destaca como a corrupção entre líderes políticos e de segurança está no cerne dessa prática ilegal, que tem sido um problema crônico no país.
Desde 2021, após mudanças na liderança da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia (NOC), o volume de combustível importado aumentou drasticamente. O NOC, que é um dos poucos órgãos estatais que atravessa as divisões entre os dois governos rivais do país, passou a trocar petróleo cru por combustíveis refinados, que eram revendidos no exterior, em vez de serem utilizados internamente a preços subsidiados.
Aumento no Contrabando
O relatório revela que as importações de combustível saltaram de cerca de 20,4 milhões de litros por dia em 2021 para mais de 41 milhões de litros por dia até o final de 2024. Essa escalada não é justificada por um aumento na demanda interna, levando a Sentry a afirmar que mais da metade do combustível importado foi desviado para lucros privados de redes criminosas. Em 2024, estima-se que mais de 6,7 bilhões de dólares em combustível foram contrabandeados, o que poderia ter triplicado os gastos do país com saúde e educação.
Além disso, a prática de contrabando não apenas privou o Banco Central da Líbia de receitas essenciais, mas também comprometeu a integridade da NOC, cuja receita é crucial para a economia líbia. O combustível contrabandeado tem sido destinado a países como Sudão, Chade e Tunísia, exacerbando crises locais e prolongando conflitos.
Demandas por Investigação
A Sentry pede uma investigação apoiada pelo Ocidente sobre os oficiais da NOC envolvidos no contrabando e clama por ajuda internacional para que as autoridades líbias possam identificar os responsáveis por essa pilhagem. A NOC anunciou que abandonou o sistema de troca em março de 2025, mas especialistas afirmam que o país ainda importa mais combustível do que realmente necessita. O ex-presidente da NOC, Farhat Bengdara, defendeu a transparência da empresa durante sua gestão e apresentou propostas para reduzir a dependência de diesel subsidiado na geração de eletricidade.
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