A crise de corrupção na Ucrânia se intensificou com a demissão dos ministros da Justiça, Herman Halushchenko, e da Energia, Svitlana Grynchuk, pelo presidente Volodymyr Zelenskyy. A decisão, anunciada nesta terça-feira, 12 de novembro de 2025, ocorre após uma investigação de 15 meses da Agência Nacional de Combate à Corrupção (NABU) sobre um esquema de subornos na Energoatom, a empresa estatal de energia nuclear. Zelenskyy também pediu sanções contra o empresário Timur Mindich, apontado como o principal organizador do esquema.
O presidente reconheceu a crescente indignação pública e enfatizou a necessidade de “máxima integridade” no setor energético. Ele declarou que apoia todas as investigações em andamento e que a corrupção é “absolutamente inaceitável” em meio a uma crise que já inclui apagões e ataques russos. A situação se agrava com a divulgação de áudios que revelam detalhes sobre os subornos, onde os envolvidos utilizam codinomes para se referir uns aos outros.
Detalhes do Esquema
A NABU identificou Mindich como um dos sete suspeitos em um esquema que envolvia extorsão de 10 a 15% sobre pagamentos de serviços, totalizando cerca de 100 milhões de dólares. Ele, que co-fundou a produtora de mídia Kvartal 95 com Zelenskyy, teria deixado a Ucrânia antes de a polícia chegar a seu apartamento. Halushchenko e Grynchuk, que negam qualquer irregularidade, apresentaram suas demissões em meio à pressão pública.
A crise não se limita aos ministros demitidos. Outros envolvidos, como Oleksiy Chernyshov, ex-vice-primeiro-ministro, também estão sendo investigados. A NABU já enfrentou dificuldades em sua investigação, mas a situação atual pode ser um divisor de águas na presidência de Zelenskyy. A editora do jornal *Ukrainian Truth*, Sevgil Musaieva, ressaltou que a liderança ucraniana precisa demonstrar ações concretas para restaurar a confiança pública, em um momento onde a insatisfação popular está em alta.
Entre na conversa da comunidade