Em 2025, mulheres no Irã intensificaram a demonstração pública de desfiles sem lenço, desafiando a obrigatoriedade do hijab. O movimento ocorre após a morte de Mahsa Amini em 2022, que desencadeou uma onda de protestos e repressão, com o governo endurecendo leis de vestimenta.
A lei de hijab e castidade entrou em vigor em 2024, prevendo punições severas para quem promover nudez, indecência ou desrespeito ao código. Multas de até 12.500 libras, flogging e prisão de cinco a 15 anos para reincidentes passaram a fazer parte do regime legal.
As autoridades passaram a incentivar a população a agir como vigilante do código, por meio de uma plataforma estatal que permite denunciar supostas infrações. O objetivo é ampliar o controle sobre a conduta das mulheres em espaços públicos.
Intensificação da aplicação e casos recentes
Em dezembro de 2024, o líder supremo Ali Khamenei ressaltou a importância do hijab para preservar a dignidade feminina e conter impulsos sexuais, impulsionando uma nova ofensiva de fiscalização. Nas semanas seguintes, equipes de segurança reforçaram as ações contra mulheres sem véu.
Na prática, houveram prisões e acusações envolvendo organizadores de eventos. Um caso ocorrido em Kish envolve a prisão de organizadores de uma maratona por permitir corridas sem lenço entre as atletas. A operação é vista como teste de tolerância zero ao desrespeito ao código.
Observadores locais destacam que a resistência persiste, mesmo com repressão. Relatos de ativistas apontam que a narrativa de apoio ao código está fragilizada, sobretudo em cidades grandes como Teerã, onde muitos jovens continuam a desafiar normas. Ainda assim, o regime tende a evitar ações em larga escala para não gerar maior repercussão.
Além de corridas, iniciativas de mulheres em clubes de moto exclusivamente femininos também ganharam destaque. Em Teerã, integrantes do grupo realizam passeios semanais, com algumas participantes deixando de usar o lenço fora das atividades, sinalizando uma mudança de comportamento gradual.
Contexto regional e perspectivas
Em Shiraz e outras províncias, relatos indicam uma atmosfera de maior abertura para escolhas de vestimenta entre as jovens. Especialistas em direitos humanos apontam fragilidade institucional para impor regras de forma homogênea diante da pressão interna e internacional.
Autoras e ativistas ressaltam que o tema extrapola o uso do hijab: envolve identidade regional, economia e relações entre governo e sociedade. A situação permanece tensa, com o governo buscando reforçar normas sem traditional consentimento popular, conforme análises de especialistas.
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