A explosão que atingiu uma festa de casamento no sul do Irã na terça-feira (1º) provavelmente foi resultado do impacto direto de um projétil americano, de acordo com especialistas em armamento que examinaram imagens e vídeos verificados pela Reuters.
O ataque, que matou quatro pessoas e feriu pelo menos 68 na pequena cidade de Kuhestak, reacendeu a preocupação com o número de vítimas civis na guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Trata-se do episódio mais grave desde que um míssil atingiu uma escola primária iraniana em fevereiro, matando dezenas de crianças e professores.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que suas forças realizaram diversos ataques no sul do Irã naquele dia, com alvo em instalações de defesa aérea, sistemas de radar e centros de comunicação da Guarda Revolucionária Islâmica. A ofensiva foi apresentada como resposta a ataques iranianos anteriores, que miravam militares dos Estados Unidos na região do Golfo.
Na quinta-feira (3), o vice-presidente americano, JD Vance, declarou que o governo dos Estados Unidos está apurando o episódio. “Estamos investigando porque, obviamente, nos importamos. Queremos saber”, afirmou Vance em coletiva de imprensa na Casa Branca.
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As Forças Armadas dos Estados Unidos disseram ter conhecimento dos relatos e informaram que estão analisando o caso. A missão do Irã junto às Nações Unidas não respondeu de imediato a pedido de comentário.
O que dizem os especialistas
Dezenas de moradores estavam reunidos em uma residência de Kuhestak para uma cerimônia de casamento na noite dos ataques, segundo testemunhas. Durante a festa, uma munição teria atingido o telhado do imóvel, conforme fotos e vídeos verificados pela Reuters.
A agência apresentou os registros a quatro especialistas em armamento militar, que classificaram os danos como compatíveis com impacto direto, e não com efeitos secundários do ricochete de uma munição destinada a outro alvo. Três deles apontaram que o artefato provavelmente era uma arma americana, descartando a hipótese de um míssil de defesa aérea iraniano que teria desviado do curso.
Um dos especialistas ponderou que a arma pode simplesmente ter errado o alvo. “Dado o número de bombas lançadas, isso ocorre de tempos em tempos, mesmo com os sistemas de orientação mais sofisticados”, explicou Gareth Collett, militar reformado do Exército britânico especializado em desativação de bombas antiterroristas e doutor em engenharia de explosivos.
Uma testemunha enviou mensagem de voz à Reuters logo após o ataque relatando “Kuhestak está destruída. Quatro, cinco, dez casas foram destruídas. Muitas pessoas estão sob os escombros. Que Deus nos ajude.” Moradores ouvidos pela reportagem falaram sob condição de anonimato.
Imagens do local mostram sapatos ensanguentados espalhados entre os escombros, além de decorações de casamento comuns na região destruídas por toda parte.
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Comentários de autoridades americanas
Duas autoridades americanas, também sob anonimato, confirmaram que as Forças Armadas dos Estados Unidos atacaram a área de Kuhestak em 1º de setembro visando especificamente a torre de telecomunicações da cidade. Segundo imagens de satélite, a estrutura fica a cerca de 135 metros do local da festa e foi atingida por volta das 21h30, horário local, de acordo com a mídia iraniana.
Uma das autoridades afirmou que o governo dos Estados Unidos ainda avalia diferentes hipóteses para as vítimas do casamento, entre elas um ataque direto americano, o ricochete de um míssil de defesa aérea iraniano ou o desvio do próprio interceptador.
O balanço de quatro mortos e 68 feridos foi divulgado pela Rede de Documentação de Direitos Humanos do Baluchistão e pela organização Haalvsh, que monitoram violações de direitos humanos na região.
Três das vítimas fatais eram convidados da festa: Kolsoom Mollahi Najhandania, de 43 anos, Zarkhatoon Taheri, de 50, e Amir Mohammad Karimi, de quatro anos, segundo as entidades. A quarta vítima, Mohammad Mallahi, de 16 anos, morreu enquanto pilotava uma moto nas proximidades da torre de comunicações. Os nomes foram confirmados também pela imprensa iraniana.
A escola em Minab
O episódio ocorre mais de seis meses depois que um míssil destruiu uma escola primária em Minab, em 28 de fevereiro, poucas horas após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que marcaram o começo do atual conflito. Segundo autoridades iranianas, o ataque matou mais de 175 crianças e professores.
O Pentágono não divulgou publicamente as conclusões de sua investigação sobre o episódio em Minab, considerado o maior incidente com vítimas civis provocado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em décadas.
A Reuters revelou, em 5 de março, que uma apuração interna preliminar das Forças Armadas indicava que as tropas americanas provavelmente foram responsáveis pelo ataque no primeiro dia da guerra contra o Irã.
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