Mais de 300 mil deslocados desde julho, em meio a uma insurgência ligada ao Estado Islâmico no norte de Moçambique, sinalizam falhas em frear o conflito. Sem uma estratégia eficaz, autoridades enfrentam pressão crescente.
A atuação envolve o Exército moçambicano e uma força regional liderada pela Ruanda, ambas mobilizadas desde 2021 para conter os ataques em Cabo Delgado. As operações visam conter os insurgentes e proteger civis, mas a violência persiste.
Entre novembro e dezembro, o número de deslocados aumentou para mais de 350 mil, com o sul de Cabo Delgado recebendo ataques que levaram a novos êxodos. O fenômeno já inclui múltiplos deslocamentos por famílias inteiras.
No balanço de 2024, ao menos 549 mortes foram registradas em 302 ataques, majoritariamente de civis, segundo o ACLED. Desde 2017, quase 2,8 mil civis foram mortos pela atuação de IS, com participação de forças locais em parte dos casos.
O governo de Moçambique, sob o presidente Daniel Chapo, sinaliza abertura a diálogo com os insurgentes. Analistas consideram que uma negociação deveria envolver comunidades locais para obter impacto real.
Especialistas lembram que o foco militar está parcialmente na proteção de grandes empreendimentos, como o projeto de LNG de 20 bilhões de dólares. A retomada de atividades estatais dependerá de equilíbrio entre segurança e desenvolvimento.
Organizações humanitárias destacam o agravamento das condições para civis deslocados. O financiamento previsto este ano ficou abaixo do necessário, com cerca de 195 milhões de dólares mobilizados até o momento, menos da metade do que se esperava.
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