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Fomos famosos, mas a que custo? busca por vida normal após Cecot

Deportados do Cecot retornam à Venezuela e enfrentam trauma, estigmas e reintegração difícil, meses após prisões nos Estados Unidos

Andry Hernández Romero, who was detained at Cecot in El Salvador, does the hair of Gabriela Mora, the fiancee of his fellow detainee Carlos Uzcátegui, in Venezuela.
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Após meses de tortura em Cecot, prisão de segurança máxima em El Salvador, 252 venezuelanos deportados dos EUA retornam à Venezuela para recomeçar a vida ao lado de familiares. O caso ganhou destaque internacional e evidenciou abusos relatados por organizações de direitos humanos.

Andry Hernández Romero, um maquiador de 32 anos, está entre os deportados. Cinco meses após a liberação, ele planeja celebrar o Ano Novo com uma tradição familiar: acender um boneco feito de madeira e trapos com explosivos, ao soar da meia-noite. A prática marca a passagem de ano na comunidade onde vive.

Os homens foram detidos durante a retórica anti-imigração da administração de Donald Trump, acusados sem devido processo de pertencer a uma gangue transnacional. Sem aviso prévio, foram removidos de diversas regiões dos EUA para Cecot, em El Salvador.

O período de detenção foi descrito por órgãos de direitos humanos como de abuso físico e psicológico quase diário. Relatos apontam agressões, isolamentos em salas escuras e, em alguns casos, violência sexual, ocorridos ao longo de meses.

Em julho, sob um acordo diplomático entre Venezuela e EUA, os venezuelanos foram libertados e repatriados. Desde a volta, os homens tentam reconstruir rotinas, empregos e relações com as famílias, enfrentando traumas e dificuldades econômicas.

Retorno, memória e adaptação

Ao retornar, as vivências no cárcere ainda acompanham os homens. Alguns rememoram episódios de dor física e psicológica, além de dificuldades em retomar a vida cotidiana, como trabalho, acesso a saúde e apoio social.

O impacto permanece também nas famílias: a ausência de renda estável e o estresse do pós-trauma afetam mães, esposas e filhos. Enquanto alguns buscam reconstruir carreiras, outros relatam transtornos de sono e ansiedade.

Alguns relatos apontam que o caso ganhou projeção internacional, com cobertura da imprensa e participação de organizações de direitos humanos. Perguntas sobre responsabilidade, justiça e reparações permanecem sem resposta conclusiva até o momento.

Entre os retornados, a sensação de dualidade persiste: alegria pela liberdade e tristeza pelo que foi vivido. Muitos aguardam avanços legais para esclarecer abusos e buscar apoio público para a reinserção social.

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