Após meses de tortura em Cecot, prisão de segurança máxima em El Salvador, 252 venezuelanos deportados dos EUA retornam à Venezuela para recomeçar a vida ao lado de familiares. O caso ganhou destaque internacional e evidenciou abusos relatados por organizações de direitos humanos.
Andry Hernández Romero, um maquiador de 32 anos, está entre os deportados. Cinco meses após a liberação, ele planeja celebrar o Ano Novo com uma tradição familiar: acender um boneco feito de madeira e trapos com explosivos, ao soar da meia-noite. A prática marca a passagem de ano na comunidade onde vive.
Os homens foram detidos durante a retórica anti-imigração da administração de Donald Trump, acusados sem devido processo de pertencer a uma gangue transnacional. Sem aviso prévio, foram removidos de diversas regiões dos EUA para Cecot, em El Salvador.
O período de detenção foi descrito por órgãos de direitos humanos como de abuso físico e psicológico quase diário. Relatos apontam agressões, isolamentos em salas escuras e, em alguns casos, violência sexual, ocorridos ao longo de meses.
Em julho, sob um acordo diplomático entre Venezuela e EUA, os venezuelanos foram libertados e repatriados. Desde a volta, os homens tentam reconstruir rotinas, empregos e relações com as famílias, enfrentando traumas e dificuldades econômicas.
Retorno, memória e adaptação
Ao retornar, as vivências no cárcere ainda acompanham os homens. Alguns rememoram episódios de dor física e psicológica, além de dificuldades em retomar a vida cotidiana, como trabalho, acesso a saúde e apoio social.
O impacto permanece também nas famílias: a ausência de renda estável e o estresse do pós-trauma afetam mães, esposas e filhos. Enquanto alguns buscam reconstruir carreiras, outros relatam transtornos de sono e ansiedade.
Alguns relatos apontam que o caso ganhou projeção internacional, com cobertura da imprensa e participação de organizações de direitos humanos. Perguntas sobre responsabilidade, justiça e reparações permanecem sem resposta conclusiva até o momento.
Entre os retornados, a sensação de dualidade persiste: alegria pela liberdade e tristeza pelo que foi vivido. Muitos aguardam avanços legais para esclarecer abusos e buscar apoio público para a reinserção social.
Entre na conversa da comunidade