Os últimos anos marcaram a Venezuela por crises políticas e sociais que alimentaram fluxos migratórios. A captura do autocrata Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos, ocorrida no sábado, 3, foi apresentada como desfecho do período de tensão. A mudança política ocorre em meio a uma onda migratória mundial e à atuação de organizações criminosas que chegam à fronteira com o Brasil, sobretudo em Roraima.
Dados do Unicef indicam que, entre 2015 e 2024, quase 570 mil venezuelanos entraram no Brasil, com 4.283 crianças chegando desacompanhadas ou sem documentação. O órgão aponta que a capacidade de absorção de serviços públicos locais já era desafiadora antes da chegada dos migrantes e, para as crianças, a ausência de documentação complica acesso a histórico escolar e documentos de guarda.
Os argentinos, colombianos e comunidades indígenas entre os migrantes elevam a demanda por saúde e educação na região norte. Pacaraima e Boa Vista são cidades mais impactadas pela presença de quem busca refúgio, segundo o Unicef. A organização ressalta ainda que a falta de documentação dificulta a inclusão de crianças em serviços básicos.
Em paralelo, o crime organizado avança na fronteira. O Tren de Aragua, criado em 2014 dentro da prisão de Tocorón, é apontado por autoridades como uma das maiores organizações da região. A atuação do grupo gerou preocupações sobre a entrada de seus integrantes no Brasil, com infiltração entre refugiados e vínculos com demais facções.
Entre os líderes identificados, Niño Guerrero, cujo nome completo é Hector Rusthenford Guerrero Flores, aparece como figura de destaque. Agravam-se as informações de que ele estaria em rota de fuga e que o Departamento de Tesouro dos EUA oferece recompensa de 5 milhões de dólares por dados que ajudem na sua localização. Guerrero é citado como ligado a operações de extorsão, tráfico e controle de atividades criminosas.
Outro integrante próximo a Guerrero é Johan Petrica, também conhecido como Yohan José Romero. Ele seria responsável por atividades de mineração ilegais para o Tren de Aragua e pela aquisição de armas de uso militar para a organização. O governo americano oferece 4 milhões de dólares por informações que levem à sua localização.
Giovanni Vicente Mosquera Serrano completa a tríade de nomes da cúpula citados pelas autoridades norte-americanas. Inserido na lista de procurados do FBI, ele é classificado como buscado por inúmeras acusações federais. O FBI classifica o Tren de Aragua como organização violenta transnacional, associada a tráfico de drogas, de pessoas e de armas, com atuação na América Latina e nos Estados Unidos.
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