O ataque ocorreu na tarde de 25 de dezembro no estado de Kordofan do Sul, Sudão, quando forças apoiadas pelo governo utilizaram drones para atingir uma marcha natalina. Pelo menos 11 cristãos morreram e 18 ficaram feridos durante a procissão que seguia para a Igreja Episcopal do Sudão, em Julud, na área de Biyam Jald. A ação foi descrita por fontes locais, citadas por veículos de imprensa.
Um advogado cristão, que pediu anonimato, disse ao Morning Star News que o prédio da igreja não foi atingido, mas a procissão foi alvejada. Diferentes órgãos da região reportaram números divergentes entre mortos e feridos, variando de 12 a 19 feridos, todos na zona de Biyam Jald. O Sudan Tribune aponta que a área é controlada pelo SPLM-Norte.
Desdobramentos e contexto regional
O SPLM-Norte acusou o drone de mirar civis que celebravam o Natal. Em narrativas anteriores, ataques com drones na região já haviam sido atribuídos às Forças Armadas Sudanesas (SAF), incluindo um ataque a um centro médico em Kumi, que deixou 12 mortos e 19 feridos, segundo relatos. A UNICEF informou sobre outro ataque, em 5 de dezembro, que ceifou a vida de crianças em Ghadeir, Kalogi.
O conflito atual envolve RSF e SAF desde 2023, com impactos já sentidos em Cartum e outras áreas do Sudão. Dados da ACNUR apontam dezenas de milhares de mortos e mais de 12 milhões de deslocados, dentro e fora do país. Organizações de observação destacam aumento de ataques contra cristãos, casas e comércios religiosos.
Panorama religioso e político
A comunidade cristã sudanesa é reiteradamente mencionada em relatórios de organizações como Portas Abertas e WWL, que indicam elevação de mortes, violência sexual e ataques a propriedades religiosas. O Sudão é majoritariamente muçulmano, com cristãos representando uma parcela menor da população, segundo estimativas de organizações missionárias.
Historicamente, o conflito está ligado a disputas entre RSF e SAF após o golpe de 2021 e a reordenação do poder militar. Mesmo com reformas liberais no passado, a tensão entre forças civis e militares persiste, impactando políticas de liberdade religiosa e governança.
Contexto internacional
O governo dos Estados Unidos havia removido o Sudão da lista de Países de Preocupação Especial em 2019, mantendo-o sob vigilância. Em 2020, o Sudão foi retirado da Lista de Vigilância Especial, após mudanças diplomáticas e acordos de cooperação, mas questões de direitos humanos e liberdade religiosa permanecem sob monitoramento internacional.
Entre na conversa da comunidade