O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revisou a imputação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, retirando a afirmação de que ele seria o líder do suposto Cartel de los Soles. No novo documento, o grupo é descrito como um “sistema de clientelismo” e não uma organização criminosa estruturada. A mudança ocorre após a detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas.
A nova acusação não aponta Maduro como chefia o cartel, conforme a leitura atual do texto. Em vez disso, enfatiza uma rede de corrupção entre elites venezuelanas que financia atividades ilícitas por meio de narcotráfico e proteção de traficantes. O cartel deixa de figurar como entidade verificável na peça, mantendo, porém, imputações relativas a tráfico de drogas.
A alteração acompanha pressões de Washington sobre o regime chavista. Em público, o governo americano já havia classificado o Cartel de los Soles como organização terrorista, ligando-o a outros grupos criminosos. A nova peça sugere que a caracterização formal do cartel, para fins judiciais, é menos direta.
Entre os condenados incluídos no novo texto aparecem seis acusados, entre eles Maduro, a esposa Cilia Flores e o filho Nicolas Maduro Guerra. Também é citado Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, apontado como líder do Tren de Aragua. Outros dois coautores fazem parte do grupo acusado.
Os carregamentos de droga e a atuação de grupos armados são citados, sem apresentar coordenação comprovada com o entorno presidencial. A acusação sustenta que Maduro participou de uma rede que envolve organizações como FARCs, ELN, Cartel de Sinaloa e Los Zetas, com o objetivo de facilitar a entrada de cocaína nos Estados Unidos.
No aspecto criminal, a acusação envolve conspiração para narcoterrorismo, conspiracy para importação de cocaína, posse de armas de fogo e dispositivos destrutivos, além de tentar armazenar ou manipular armamento contra interesses norte-americanos. A peça ressalta vínculos com diversas organizações armadas regionais.
A revisão também atualiza o quadro em relação à imputação de 2020, acrescentando Cilia Flores como acusada pela primeira vez. Segundo o documento, Flores teria recebido subornos e facilitado encontros entre traficantes e autoridades venezuelanas. O ajuste amplia o envolvimento pessoal na acusação, mantendo o foco no suposto papel de Maduro na rede.
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