Chen Zhi, empresário chinês, foi preso no Camboja e extraditado para a China. A operação ocorreu na última semana, com cooperação entre autoridades cambojanas e chinesas, segundo comunicado do governo do Camboja. As acusações envolvem fraude e lavagem de dinheiro ligadas a uma rede de golpes online de bilhões de dólares.
Chen é apontado como fundador do Prince Group, conglomerado internacional que, segundo a procuradoria dos EUA, funcionou como fachada de uma das maiores organizações criminosas transnacionais da Ásia. As acusações descrevem operações em complexos de trabalho forçado na região, onde trabalhadores estariam presos em instalações cercadas por muros altos e arames.
O Camboja informou que três chineses, incluindo Chen, foram detidos e extraditados para a China nesta semana, dentro de uma ação que durou meses de cooperação para combater crimes transnacionais. A devolução ocorreu após revogação de nacionalidade cambojana de Chen, decretada em dezembro.
Em Washington, a denúncia dos EUA, apresentada em outubro, acusa Chen de presidir esquemas de fraude eletrônica envolvendo criptomoedas. Os golpes teriam utilizado cerca de 127.271 bitcoins, avaliados em mais de US$ 11 bilhões na cotação atual, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão.
Segundo as acusações, trabalhadores forçados teriam participado de esquemas de fraude com criptomoedas — conhecidos como pig butchering —, montados para ganhar a confiança das vítimas antes de desviarem os recursos. Países da Europa, dos EUA e da Ásia implementaram sanções e congelamentos de ativos contra o Prince Group.
Como parte das acusações, o Prince Group nega as alegações. A empresa sustenta que atua em ramos legais como imóveis, serviços financeiros e varejo, e afirma cooperação regular com autoridades internacionais para esclarecer as denúncias. A defesa não se pronunciou sobre o status da extradição.
A investigação detalha que operava em mais de 30 países desde 2015, com alegações de uso de influência política e suborno para proteger atividades ilícitas. No Camboja, Chen atuou ainda como assessor do primeiro-ministro Hun Manet e do ex-líder Hun Sen, segundo as autoridades.
A região abriga diversos centros de golpe online que recrutam estrangeiros, muitos chineses, por meio de anúncios de emprego falsos. Experts estimam que milhares de pessoas, inclusive migrantes, participaram ou foram obrigadas a atuar nesses esquemas, sob condições precárias.
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