Clara Simiyu, mãe de duas crianças da Kenyan, foi trabalhar como empregada doméstica na Arábia Saudita em 2022. Um ano depois, soube, por uma amiga, que o marido mantinha um relacionamento extraconjugal. O dinheiro enviado para os filhos era gasto com a amante, não com roupas ou educação.
Ao retornar a Kitale em 2024, Simiyu não tinha casa estável e precisou ficar com uma prima. Hoje, continua enviando dinheiro da Arábia para manter as filhas, de 4 e 8 anos, e planeja iniciar o divórcio ao término do contrato, em 2026.
Aproximadamente 400 milkenianos trabalham no Golfo, em setores como hospitalidade, serviços domésticos e construção. Muitos acabam em contratos curtos de um a dois anos, impossibilitados de levar cônjuges ou filhos.
O impacto nas famílias
Casamentos costumam sofrer com a distância, juros de famílias dependentes da renda enviada de fora e comunicação limitada. Em alguns casos, surgem conflitos entre quem permanece no país e quem está no exterior.
Alguns líderes religiosos passaram a desencorajar a ida ao exterior. A orientação é buscar estabilidade familiar antes de migrar, especialmente para trabalhos no Oriente Médio, onde há relatos de abusos e condições difíceis para moradoras.
Pastor Joseph Kimaleni, de uma igreja em Trans-Nzoia, afirma que casos de adultério aparecem quando a esposa trabalha fora. A meta é evitar que a separação ocorra desde o início, oferecendo apoio comunitário e oportunidades locais de emprego.
Ações comunitárias e alternativas
A igreja local cria empregos para jovens, oferecendo capital inicial para abrir pequenos negócios, como venda de sucos e lanches. O objetivo é reduzir a busca por trabalho no exterior e manter famílias unidas.
Outra liderança, a pastora Roslyne Wamalwa, incentiva planejamento familiar durante conferências de jovens. Em vez de partir, orientapreparar o casamento para resistir à tentação de migração, mantendo o foco na vontade de Deus e no bem-estar familiar.
Profissionais locais destacam que informações financeiras são cruciais. Conselhos incluem abrir contas bancárias, poupar e investir ao retornar, para evitar uso inadequado de recursos enviados aos parentes.
Riscos e desfechos
Entre os riscos estão lesões e até mortes entre quem imigra. Entre 2022 e mid-2024, houve relatos de falecimentos entre kenianos no Golfo. Mulheres enfrentam riscos adicionais de assédio e abusos, com subnotificação frequente por medo de retaliação ou perda de salário.
Clara Simiyu, ainda em Saudi, busca manter a fé e o apoio da comunidade por meio de mensagens de oração. Ela planeja, ao fim do contrato, retornar ao Kenya e abrir um salão de beleza para sustentar as filhas, mantendo o vínculo familiar como prioridade.
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