Jacinda Ardern desistiu de participar da Adelaide Writers’ Week em 2026, como parte da reação à decisão do conselho do festival de cancelar o convite à acadêmica palestino-austral Randa Abdel-Fattah. A presença da ex-primeira ministra da Nova Zelândia havia sido anunciada para debater sua memória, A Different Kind of Power, com Sarah Ferguson em 3 de março, em Adelaide.
A retirada de Ardern soma-se a uma onda de boicotes de autores internacionais, com mais de 70 participantes já anunciando ausência. Zadie Smith, Percival Everett, Yanis Varoufakis, Roisin O’Donnell e Masha Gessen estão entre os que confirmaram desistência recentemente.
A controvérsia sobre Abdel-Fattah ganhou contornos em outubro, quando Tony Berg deixou o conselho em protesto à participação da acadêmica. Ele afirmou que o festival pauta escritores com postura contrária a Israel, segundo mensagem obtida pelo Guardian Australia.
Em mensagens encaminhadas a autoridades estaduais, Berg criticou a diretora do evento, Louise Adler, e disse que o aceno a Abdel-Fattah violaria princípios do conselho. Alega ainda que Adler já havia convidado Abdel-Fattah para 2026 sem aviso aos demais membros.
O Guardian Australia também mostrou resistência do conselho a medidas para remover o columnista do New York Times Thomas Friedman, em 2024, após críticas associadas à política do Oriente Médio. Abdel-Fattah já recebeu críticas de setores pró-Israel.
Diversos membros do conselho, incluindo o presidente Tracey Whiting, deixaram seus cargos após a decisão de cancelar a participação de Abdel-Fattah. O festival afirmou estar enfrentando um momento complexo e sem precedentes.
Nesta segunda-feira, o diretor executivo da Adelaide Festival Corporation, Julian Hobba, informou que a Adelaide Writers Week e o festival estão em meio a um momento delicado e prometeram novas informações em breve. O histórico de conflitos persiste no setor.
Personalidades da imprensa e de artes pediram a reintegração de Abdel-Fattah, com apoio de signatários que já ocuparam posições de liderança no festival. Rob Brookman, ex-diretor artístico, liderou um abaixo-assinado pedindo a volta da acadêmica.
O quadro atual exige alinhamento institucional: a lei regional impõe a recomposição do conselho com pelo menos dois homens e duas mulheres? O grupo ainda não definiu uma data para novas escolhas, enquanto aguarda nomeação de novos membros pela pasta da cultura.
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