Dois cristãos iranianos foram condenados à prisão por motivos religiosos, e uma terceira cristã recebeu intimação para cumprir pena de cinco anos, informou a organização Article 18, que acompanha casos de liberdade religiosa no Irã. As ações ocorreram entre julho e dezembro de 2025, em diferentes cidades do país.
Nayereh Arjaneh, de Garmsar, foi presa em 7 de julho de 2025 junto ao marido. Iniciou a pena na prisão de Semnan em 23 de dezembro. A condenação soma dez anos, dos quais apenas a pena mais severa — cinco anos — é executável, conforme a lei iraniana. Ela também enfrenta multa e outras sanções.
O veredito inclui cinco anos de prisão sem direito a liberdade condicional, multa de 165 milhões de tomans, exílio interno em Kouhbanan e proibição de viajar por dois anos. Além disso, foi atribuída outra condenação de cinco anos e multa por suposta assistência a grupos cristãos. O juiz da causa absolveu Arjaneh da acusação de insulto a santidades religiosas.
O marido de Arjaneh, Qasem Esmaili, recebeu 3,6 anos de prisão, mas ainda não iniciou o cumprimento da pena devido a tratamento de quimioterapia contra o câncer. Em 2022, Arjaneh já havia recebido sentença suspensa de seis meses por atividades religiosas.
Prisões e condenações de convertidos
A organização aponta que convertidos ao cristianismo não têm permissão para manter locais de culto, o que leva alguns a buscar cultos em países vizinhos. Dois irmãos, Mahmoud e Mansour Mardani-Kharaji, foram presos durante uma celebração de Natal em Isfahan e começaram a cumprir quatro anos de prisão em 16 e 20 de dezembro, respectivamente.
Os irmãos, também convertidos, devem cumprir dois anos de exílio fora de Isfahan e ficam proibidos de se reunir em grupos por cinco anos. Cada um recebeu multa de cerca de US$ 1.500. Outros dois cristãos no mesmo caso tiveram as acusações retiradas, com nomes mantidos em sigilo por razões de segurança.
Prisão de Evin e situação de Aida Najaflou
Aida Najaflou, convertida ao cristianismo, foi libertada temporariamente da prisão de Evin em 21 de dezembro por razões médicas após fraturar a coluna. Ela aguarda recurso contra uma sentença de 17 anos. A libertação ocorreu após fiança de mais de US$ 75 mil, conforme o Article 18.
Najaflou, mãe de duas crianças, está detida desde fevereiro e já passou por cirurgia. O caso foi julgado pela 15ª Vara do Tribunal Revolucionário de Teerã. Entre as acusações constavam atividades associadas à segurança nacional e propaganda contra o regime. A porta de entrada para a liberdade depende do resultado do recurso.
O Irã aparece na lista de vigilância mundial de perseguição, com foco em restrições a práticas religiosas, segundo um relatório de 2025. Apesar das pressões, observa-se uma atuação de comunidades cristãs que mantêm cultos domésticos e atividades religiosas de forma subsidiária.
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