Agricultores franceses voltaram às ruas de Paris nesta terça-feira, 13 de janeiro, com tratores para protestar contra o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A manifestação, realizada pela segunda vez em uma semana, questiona o impacto do acordo sobre a agricultura francesa e a concorrência com importações sul-americanas mais baratas.
A operação reuniu cerca de 350 tratores, segundo estimativas da polícia de Paris. Um comboio dirigiu-se ao Arco do Triunfo, enquanto outro grupo alcançou o prédio do Parlamento francês, no centro da capital. O protesto é uma continuidade de ações anteriores promovidas por agricultores franceses.
Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA, afirmou que o acordo foi aprovado sem parecer formal do Parlamento Europeu e pode permitir a entrada de produtos que não cumprem as normas da agricultura francesa, aumentando a concorrência com produtores nacionais. A FNSEA é um dos principais sindicatos do setor.
Greffin também informou que, além da manifestação em frente ao Parlamento francês, há planos de mobilização no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro, para pressionar autoridades europeias sobre o tema.
A autorização do acordo Mercosul-UE foi concedida pela maioria dos Estados-membros da UE na sexta-feira anterior, 9 de janeiro, mesmo com a oposição da França. Essa decisão intensificou a pressão de agricultores e de partidos de oposição, que apresentaram moções de desconfiança.
A mobilização ocorrida hoje é parte de um histórico de protestos contra o acordo, com participação de outros sindicatos agrícolas europeus. As ações buscam chamar atenção para impactos comerciais e regulatórios sobre a produção local.
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