Inspirados pelos protestos da França e de outros países da Europa, milhares de estudantes foram às ruas em várias cidades da Grécia nesta quarta-feira (21) contra o alto custo de vida e precariedade no ensino.
“Na Grécia, assim como na França, exigimos educação pública e gratuita”, disse à AFP Katia Koubousidou, presidente de um sindicato estudantil da Universidade Aristóteles de Tessalônica. “Este não será um protesto isolado. Temos um plano para continuar com as manifestações.”
Segundo a polícia, pelo menos 5 mil pessoas participaram da manifestação em Atenas. Outras grandes cidades do país também tiveram protestos.
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Na terça-feira (20), dezenas de estudantes montaram barracas na Praça Syntagma, em frente ao Parlamento, em Atenas. Outro acampamento foi erguido numa rua de pedestres de Tessalônica, cidade no norte do país.
Médicos de hospitais públicos e servidores também fizeram greves e paralisações nesta quarta. Secundaristas e professores protestam contra a infraestrutura precária e a falta de pessoal nas escolas e pedem mais investimento público em educação.
Nos últimos dias, o governo conservador grego tem tentado afastar qualquer comparação com os protestos e a violência na França. Na segunda-feira (19), o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis declarou que o país “nunca voltará à era de grande agitação social” da crise financeira de mais de uma década atrás, marcada por medidas de austeridade impopulares.
Protestos contra custo de vida mobilizam milhares na França e têm confrontos
Baixo investimento e escolas precárias
Segundo dados da agência de estatísticas da União Europeia, a Grécia destinou 3,3% do PIB à educação em 2023. A fatia é uma das menores do bloco e fica bem abaixo da média europeia, de 4,7%.
As autoridades “não querem (que as pessoas tenham) educação de qualidade, para que não entendamos o que está acontecendo”, disse Maria, funcionária municipal de 57 anos que participava do ato em Atenas.
Sindicatos e grupos estudantis da Grécia cobram há anos mais recursos para recuperar prédios deteriorados e contratar mais profissionais.
“Os prédios das escolas são péssimos e mal conservados”, afirmou Yiannis Papanikolaou, estudante de 17 anos do bairro boêmio de Exárquia, em Atenas. “Reboco caindo, janelas quebradas, aquecedores com defeito”, descreveu. “Acho que algo pode mudar por causa do que a França está fazendo. A França vai impulsionar a Grécia.”
Protestos estudantis por melhores condições de ensino se espalham pela Europa
Um sindicato de professores estima que faltam 15 mil docentes no ensino secundário em todo o país.
No início deste mês, um aluno de 14 anos ficou ferido quando parte do reboco do teto caiu numa sala de aula no norte da Grécia. Na segunda-feira, um caso semelhante ocorreu na entrada de uma escola de Atenas, fora do horário de aulas.
Um grande complexo escolar da capital está fechado há quase duas semanas por suspeita de vazamento de gás. O caso ainda está sendo investigado. Cerca de 4 mil alunos foram afetados.
Protestos se espalham pelo continente
Os atos na Grécia ocorrem em meio a uma onda de protestos que ganhou força em vários países europeus entre setembro e outubro.
Na França, a mobilização começou nas escolas, com alunos do ensino médio bloqueando centenas de unidades para cobrar mais professores, turmas menores e reformas nos prédios. Ações policiais deixaram centenas de feridos, e o governo suspendeu as granadas de efeito moral depois que um adolescente perdeu uma mão.
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No último final de semana, os atos passaram a ter como foco o custo de vida e reuniram cerca de 550 mil pessoas, segundo o Ministério do Interior. Parte das manifestações terminou em saques, incêndios e confrontos, e cerca de 2.500 pessoas seguiam detidas na terça.
O governo francês decretou toques de recolher em áreas de Paris e vai usar militares para reforçar a segurança nos atos previstos para sábado (24).
Na Espanha, protestos por moradia começaram após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. Em setembro, ela foi retirada do apartamento onde vivia havia quase sete décadas, depois que a proprietária tentou elevar o aluguel em 275%.
O caso levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Madri e de outras cidades. O primeiro-ministro Pedro Sánchez antecipou as eleições para 29 de novembro depois que o Parlamento derrubou dois decretos sobre habitação.
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Na Albânia, dezenas de milhares de estudantes protestaram em Tirana contra o alto custo do ensino superior e incendiaram a sede do Ministério da Educação, no ato mais violento contra o primeiro-ministro Edi Rama.
Na Bélgica, estudantes inspirados pelo movimento francês aderiram a uma greve nacional contra cortes no orçamento, que reuniu cerca de 30 mil pessoas em Bruxelas e terminou em confrontos com a polícia e 21 detidos.
Em Portugal, manifestantes acamparam em praças centrais de Lisboa e do Porto em protesto contra a crise da moradia. Eles pedem a retirada de um projeto de lei que facilita despejos e acaba com o teto de aluguel em novos contratos, num país onde os preços dos imóveis mais que dobraram desde 2017.
Na Itália, caminhoneiros bloqueiam estradas, rodovias e portos da Sicília e do sul do país desde a semana passada contra a alta dos combustíveis e do custo de vida. A mobilização provocou falta de produtos nos supermercados, filas nos postos de combustível e a paralisação de fábricas de massas por falta de insumos.
*Com informações da AFP e da Reuters
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